No início uma compacta massa,
Não lhe conheciam o cerne.
Aos poucos descobrindo-lhe,
Via-se a massa preenchida,
De espalhadas cruzes positivas,
Envolvidas pelas negativas.
Vislumbra-se agora o núcleo,
A acercar-lhe, o negativo,
Girando em seu entorno,
Como planetas em torno do sol.
Formam nuvens em camadas,
Em órbitas circulares e concêntricas,
Dual natureza, nem estático, nem fixo,
Provavelmente se encontra,
Onde possa achar o seu par.
Sou assim feito o átomo,
Descoberta pouco a pouco,
Evoluo da massa bruta,
Enquanto não apuro o núcleo,
Já percebo o complemento,
Na positividade esparsa,
Com negativo envolvimento.
Vislumbro agora o cerne,
A negatividade a rondar-lhe,
Fazendo cirandas a sua volta,
Como planetas, invejados do sol,
Acercando-lhe desejosos,
De sua luz e calor roubar.
São nimbos, tristeza e desamor,
Dispostas nas camadas de dor,
Nas órbitas circulares,
Que rondam a minha mente,
Concentricamente.
Na dualidade da natureza,
Um ser não é só mente,
Tem alma de complemento,
Repleta de sentimento,
Não deixa estática a vida,
Nem a fixa em lugar algum,
Provavelmente a alma se encontra,
Onde uma outra se esconde,
Perdida e clemente de seu amor.
quarta-feira, 14 de abril de 2010
RETRATO DA ALMA
Como espectro se desenham
Sombras frias entranhadas
Da meia luz que ilumina
Metade de um lado obscuro
E na outra clara metade
Brilho que às vezes ofusca
Ou ilumina o melhor de mim
Imagens projetam idéias
Pensamentos refratam ações
Espelham íntimas ânsias
Em devaneios e reflexões
São ondas que perpassam
Confusos feixes de raios
Distorcem imagens
Na parte opaca de mim
Na outra iluminada metade
A luz se propaga em ondas
Para abissais labirintos
Via das minhas entranhas
Abstrato, ninho subjetivo
Abjuro o abjeto abismo
Redundante instropecto
Deste agônico solilóquio
Resgato-me na superfície
Na ruptura da interna rusga
Desenham outros espectros
Do concreto que me acerca
No objeto inacessível
Do circunlóquio que fiz.
Sombras frias entranhadas
Da meia luz que ilumina
Metade de um lado obscuro
E na outra clara metade
Brilho que às vezes ofusca
Ou ilumina o melhor de mim
Imagens projetam idéias
Pensamentos refratam ações
Espelham íntimas ânsias
Em devaneios e reflexões
São ondas que perpassam
Confusos feixes de raios
Distorcem imagens
Na parte opaca de mim
Na outra iluminada metade
A luz se propaga em ondas
Para abissais labirintos
Via das minhas entranhas
Abstrato, ninho subjetivo
Abjuro o abjeto abismo
Redundante instropecto
Deste agônico solilóquio
Resgato-me na superfície
Na ruptura da interna rusga
Desenham outros espectros
Do concreto que me acerca
No objeto inacessível
Do circunlóquio que fiz.
VIRTUAL(MENTE)
Ele navega no meio virtual
Sabe-se lá se procura
Ou se vagueia alheio
Entre perfis, rostos, máscaras...
Um “click”
Ei-la que surge do acaso
E um homem surge do nada
Confessa-se impressionado
Ela se encanta, agradece
Textos, imagens, palavras
Pronto, tudo se transforma
Qual força tem as palavras
Feitiço, magia, fascinação
Do fascínio ao êxtase
Desperta a mulher de sono profundo
Pela mão do homem, mansa, sutil
Sem rumores, sem ruídos
Oferta-lhe abraços, flores e estrelas
Que mais tarde transformam-se
Em mais abraços, jardins e galáxias
Até que chega um beijo
Com muito carinho e respeito
Eis que vem a poesia
Desencadeia a ânsia de sentir
Da “presença” ausente se ter
Cheiro, calor, amor, sabor
Inebria os sentidos, falta ar
Entorpece o corpo, magia
Incendiado, incendia e faz jorrar
Gentilezas, sutilezas sem promessas
Nas palavras caladas, guardadas
De quem sabe um dia ao meu ouvido
Sussurar...antes um poema
Depois quem sabe... gritar
Aquecendo-me no teu vibrar
Ardendo em mim o teu calor
Pelos beijos descendentes
Pelas mãos sem pudor
Pelos corpos em erupção
Em versos, ouço o que lhe gritava a alma:
“...quero que sejas profundamente minha e ritual
obsessiva e lúcida, doente, febril, tremendo de desejo
disposta a tudo e a mais e a muito mais,
boca de Mundo, seios de Mármore, corpo de Alfazema
e sobretudo Mulher e sobretudo amante.
Se existires assim, nua, inteira, absoluta e pessoal
responde-me que eu fico aqui, eterno, à tua espera.”
Respondo ao grito, existo sim e assim
Apetece-me ser desbravada
Como a abrir caminhos em mim
Nas minhas entranhas acolher
Deixar fluir leite da fêmea
O mel da mulher mansa e calma
A água da fonte do louco prazer
Desejo ávido, que acredito
Apetece a ti e a mim.
sexta-feira, 26 de março de 2010
MISTÉRIO DOCE
Gosto do gosto que vem oculto
Na magia mágica escondida
No gosto misterioso e fruto,
Do mágico mistério da vida.
Digo gosto, é pois porque me encanto
De encantamento, me deleito
Surpresas, o novo, o velho, espanto
Fundo calam dentro do peito.
Revela-se a vida, na noite, no dia
A cada hora, naturalmente
Assim como doce poesia.
Um paradoxo de doce e amargor
Na fé que move, fel se torna mel
Lambuza a alma, chama-se agora, amor.
Na magia mágica escondida
No gosto misterioso e fruto,
Do mágico mistério da vida.
Digo gosto, é pois porque me encanto
De encantamento, me deleito
Surpresas, o novo, o velho, espanto
Fundo calam dentro do peito.
Revela-se a vida, na noite, no dia
A cada hora, naturalmente
Assim como doce poesia.
Um paradoxo de doce e amargor
Na fé que move, fel se torna mel
Lambuza a alma, chama-se agora, amor.
SEGREDOS CALADOS
Não perguntarei coisas que não saibas,
Nem tampouco sobre coisas que não creias.
Não perguntarei sobre o tênue fio ligante,
Da lúcida consciência e a consciente loucura,
Tão íntimas, que de ti fazem teu próprio rei.
Não perguntarei sobre a tua sapiência,
Nem tampouco se importa o teu saber.
Da tua sabedoria, só o que interessa,
Se és sábio, se buscas sempre entender,
Onde habita a parte mais simples de ti.
Não perguntarei sobre o rio que nasce,
Que às vezes escorre dentro de ti,
Nem tampouco por onde deságuam as águas,
As calmas ou as caudalosas que escoam,
Ou ora represam-se dentro de ti.
Do rio, da água que corre, só o que interessa,
Que a ti, ora irrigam, ora inudam,
Trazem o feitio, tão próprios de si.
Não perguntarei do que vem do teu âmago,
Do imerso que subitamente emerge,
Do leitor do mundo à tua volta,
Tampouco do teu próprio mundo interior,
Que livre, lês, interpretas como bem entender.
Nem se por vezes esta “leitura” do mundo,
Indigna-te tanto, se te rebelas e gritas,
Mesmo que, nem sempre teu grito se faça ouvir,
Neste tão surdo mundo, às vezes cego,
Que não escuta e não vê a tua ânsia ousada,
Tomando o lugar da tua simplicidade.
Não perguntarei onde nasce o teu sol,
Se o calor que emana dele ainda te aquece.
Se será fértil a terra, quando vier a chuva,
Nem tampouco se o céu que te cobre,
De azul ainda colore o ar e deixa voar a ave.
Se a terra lavrada e molhada por chuva,
É teu deserto ou teu solo fecundo.
Não me suponhas farta e contentada,
Sem perguntar e da resposta ignorada.
Néscio! Ainda resta-me muita ambição.
Perscrutar tua alma, entender teu coração,
Guardar teus segredos e torná-los meus,
O céu e a terra como eternos cúmplices.
Nem tampouco sobre coisas que não creias.
Não perguntarei sobre o tênue fio ligante,
Da lúcida consciência e a consciente loucura,
Tão íntimas, que de ti fazem teu próprio rei.
Não perguntarei sobre a tua sapiência,
Nem tampouco se importa o teu saber.
Da tua sabedoria, só o que interessa,
Se és sábio, se buscas sempre entender,
Onde habita a parte mais simples de ti.
Não perguntarei sobre o rio que nasce,
Que às vezes escorre dentro de ti,
Nem tampouco por onde deságuam as águas,
As calmas ou as caudalosas que escoam,
Ou ora represam-se dentro de ti.
Do rio, da água que corre, só o que interessa,
Que a ti, ora irrigam, ora inudam,
Trazem o feitio, tão próprios de si.
Não perguntarei do que vem do teu âmago,
Do imerso que subitamente emerge,
Do leitor do mundo à tua volta,
Tampouco do teu próprio mundo interior,
Que livre, lês, interpretas como bem entender.
Nem se por vezes esta “leitura” do mundo,
Indigna-te tanto, se te rebelas e gritas,
Mesmo que, nem sempre teu grito se faça ouvir,
Neste tão surdo mundo, às vezes cego,
Que não escuta e não vê a tua ânsia ousada,
Tomando o lugar da tua simplicidade.
Não perguntarei onde nasce o teu sol,
Se o calor que emana dele ainda te aquece.
Se será fértil a terra, quando vier a chuva,
Nem tampouco se o céu que te cobre,
De azul ainda colore o ar e deixa voar a ave.
Se a terra lavrada e molhada por chuva,
É teu deserto ou teu solo fecundo.
Não me suponhas farta e contentada,
Sem perguntar e da resposta ignorada.
Néscio! Ainda resta-me muita ambição.
Perscrutar tua alma, entender teu coração,
Guardar teus segredos e torná-los meus,
O céu e a terra como eternos cúmplices.
MEMÓRIAS E QUIMERAS
Acontece no mundo dos sentimentos
O coração parece querer sair pela boca
Lembranças, inesquecíveis momentos
Restam dos beijos, o gosto
Da pele e do pelo, a textura
Das palavras doces, o som
Do encontro dos corpos, o aroma
Misturam-se prazer e saudade
Das memórias que tenho de ti
Minha mente esforça-se, endoidece
Meu corpo clama pelo teu em chamas
Minha ternura floresce, a alma enternece
Das tantas carícias, tão doces, sutis
Mulher, fêmea, menina, em todas, amante
Emoções sacadas das entranhas
Dormentes, hibernantes, esquecidas
De súbito emergem, paixão, explosão
Ai que saudades do que tive!
Tão bem na memória guardo a ti.
Sonhos, realidade, hoje de novo quimeras
Amadurecidas ideas de ti e de mim
Não fazem sofrer, antes, acariciam
Dois corações, cientes de si
Aconchegam-se, se enlaçam
No terno abraço, num doce beijo
Das memórias que guardaremos
Eternamente...
Eu de tu e tu de mim.
quarta-feira, 17 de março de 2010
PERCURSO DO BEIJO
Beijo-te os olhos cerradosUma brisa quente que te afaga,
Minha respiração ofegante,
Minha face tão perto da tua,
Pousam suaves em teus lábios, os meus,
E no impulso que a alma instiga,
Os lábios se abraçam e se sugam,
Sofregamente, se embriagam,
Do néctar do hálito teu,
Do mel do desejo meu,
Sabores do beijo molhado,
Misturam-se no ápice da loucura,
Desencadeiam outros loucos beijos,
Percorrendo o mapa que te desenha,
Enquanto sondas cada canto do meu.
Inebriantes perfumes exalam,
Suaves músicas entoam,
Sibilos arfantes, gemidos e ais,
Calores intensos ardem a pele,
Culminam em suores e seiva,
Do cume dos prazeres insanos,
Extasiados os corpos desfalecem,
Mergulhados na breve inércia
Inerente ao pós deleite do amor.
Após breve descanso, outro beijo,
Feito de carícia, ternura e afeto,
Relaxa e embala o sono,
Deixa a certeza e o desejo,
Serão muitas noites de amor
NOITES COM LUA
Privada do seu brilho, é longa a noite
Cada minuto parece infinito
Na eterna espera que amedronta
Medo da sombra que desaparece
Que teima esconder teu másculo corpo
Que tira de mim a tua imagem
Que teimo em querer tatear
Para sentir passo a passo
O contorno de todas as linhas
Na provocação do meu toque
Sentir nascer cada ressalto
Viro-me na cama, no travesseiro
Procuro o que a lua ausente me oculta
O vazio é nada, é silêncio e escuridão
É dor, é ausência que se sente
É como noite sem lua, a solidão.
Quero, um luar todo e só meu
Que seu clarão faça da minha sombra
A imagem desenhada do seu sonho
E com seu brilho projetar a sua
Que nos meus sonhos arquiteto
A noite com luminosidade, é sonho
É afeto que faz sorrir, carinho que abriga
É paz, serenidade que me dá segurança
É ninho, lar do meu aconchego
Onde me aninho, resido e desejo
Quero só noites com lua, com calor
Quero um luar nas minhas noites
Quero mãos que afaguem a minha face
Quero singeleza e afeto, toda ternura
Quero carinho puro, no riso e na dor
Minhas mãos ao alcance das suas
Entrelaçadas num gesto ingênuo
E no calor que elas emanam
Incendiar os corpos que clamam
Por labaredas de intensas chamas
Que fazem arder os desejos
Quando preciso apenas de amor
Quero que seja minha lua
Vagando na minha noite
Não faças rotação ou translação
Nunca deixe escuro, nenhum lado de mim
Faça como o sol, ilumina-me
E então viveremos de luz
A noite que é vida e a lua o amor.
sexta-feira, 5 de março de 2010
CALOR DO ABRAÇO
Braços que se estendemSe curvam e cingem
Do peito se acercam
E os corpos se fundem
Do aconchego e calor que ofertam
Os abraços fraternos, amigos, amantes
E no sublime prazer que despertam
São belos e únicos momentos marcantes
É no abraço amigo que se encontra
Um porto, de alegria e de desalentos
O riso garante, para lágrimas, cura pronta
Na simbiose perfeita dos sentimentos
No elo que ata o amor à compreensão
Abraço fraterno é solidariedade
Afeto doado em um aperto de mão
Caminho tão certo para a felicidade
No frêmito que faz arder o desejo
Os corpos chamam ardentemente
Abraço amante, doce ensejo
De possuir e amar loucamente
Nas dores regadas de pranto
Nas alegrias ornadas de amor
O abraço é essencial acalanto
Ternura, afeto, exalando calor
Ai...ai! Que delícias de abraços
Suscitam na alma, a calmaria
Sustentam e estreitam os laços
Sem abraços tão fortes, morreria!
Piracema, 28 de fevereiro de 2010
Celêdian Assis
LÚCIDA LOUCURA
Que nunca se viram, oxalá se verão
Afinidade do encontro exala no ar
Num momento de encanto amam se amar
Tamanha loucura e de tal dimensão
Entre os lábios no beijo, o oceano
Fantasia a alma, desejos do coração
De súbito a ausência, louco, insano!
Calor que aumenta, cresce a loucura
Dos corpos distantes, emanados
Fluidos de amor, ais com ternura
Agora tão perto, assim abraçados
Brisa morna chega como toque sutil
Toca a face e nos olhos cerrados
Respira ofegante, torna febril
Freneticamente desrritimados
Sorrisos tão meigos mostram desejos
Atravessam o espaço, esquece a distância
Do chocolate o gôsto, na delícia dos beijos
No vermelho eclode paixão, o êxtase, a ânsia
Muito além, arde em chamas um olhar
Da face da terra nada se avista
Os mares nunca antes navegados
Agitam-se em fúria, na loucura de amar
E na louca lucidez do momento
Onde estás que não te vejo?
Breve um lúcido tormento
Acorda, é sonho, é só desejo!
Celêdian Assis
quinta-feira, 4 de março de 2010
MUITO PRAZER!
Eu, você e eles, somos nós,Que nunca estamos sós,
Que fazemos da alegria e do júbilo, oração,
Motivo maior de nossa canção.
Desfazemos a tristeza, desatando nós
E na poesia encontramos a redenção
As palavras fluem como ornamentos
Enfeitando com arte até o obscuro,
O núcleo do ínfimo,
Das profundezas do ser, em sentimentos
Que gritam ou calam em nosso íntimo,
Desabafos sinceros por sobre o muro.
Sacadas do fundo, afloram-se percepções,
As mais autênticas sensações.
Inspiradas na fonte inesgotável e profunda,
Transformando em hinos da alma, ou belas canções,
A dor ou o amor que transborda e inunda,
Por sobre todas as sanções.
Entre fascínio e êxtase, delírios da emoção,
Inspirados na incansável vastidão,
Em versos ou prosas, brotam eloquentes,
Das malhas finas tecidas entre a loucura e razão,
As fantasias da mente, dos sonhos dormentes,
Dos desejos mais que arguentes.
Encanta a quem vê com olhos atentos,
Com sentidos sedentos,
O fruto da fonte que nos aguça a percepção,
Que flui envolto em certa devoção,
Sendo a cura dos males da alma e dos desalentos
Que busca tocar com leveza e magia, o coração.
Alegra-nos não só o reconhecimento.
Como a identificação,
Bem como a reação,
Da arte que alimenta mais que pão
Que faz querer derrotar o dragão
E sair espalhando nosso sentimento
Somo assim:
Abusados,
Alterados,
Por vezes, transtornados,
Outras, embasbacados...
Somos a um só tempo múltiplos
E únicos!
Engajados,
Revoltados.
Tão noturnos,
Quanto diurnos.
Somos pretensamente despretensiosos
Evolutivamente ambiciosos:
Evangélicos,
Esotéricos,
Judeus,
Ateus,
Cristãos,
Pagãos,
Muçulmanos,
Presbiterianos,
Espiritualistas,
Ocultistas,
Maçons,
Ah! Como são singelos nossos sons...
Somos movidos a paixões.
Somos cônscios dos nossos desvãos,
Das nossas carências,
Das nossas adjacências...
Um pouco incertos,
Somos extremamente modestos...
Diletantes!
Ah! somos apaixonantes...!
Acreditamos no poder máximo,
Ávido,
Do inconfundível ardor,
Que vem do Amor...
Tanto tradicionalistas,
Quanto vanguardistas,
Somos cria da matéria prima da tarde.
Do bom que arde.
Da arte!
Escrevemos para encontrar sentido
E, principalmente para continuarmos vivos,
Ativos
E com um necessário brilho.
Queremos não só desabafar,
Encantar,
Protestar...
Queremos fazer desabar,
Tudo o que impede a evolução de raiar.
Queremos ver a humanidade despertar,
Para poder despontar,
Frutificar
E florescer.
Queremos enternecer!
Somos mais que abolicionistas,
Somos Recantistas!
Celêdian Assis & Cláudio Santos
NOTA: Recantistas são os poetas e escritores do site Recanto das Letras.
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
FACE DE MULHER
Conta-lhe o tempo (sem sentido),
as suas amarguras, suas cicatrizes.
Ainda que lindo, o sorriso contido,
confia e espera, por dias felizes...
Transita, pela nudez da inocência,
do tempo, por uma nudez madura...
Pela face, estampa dessa existência,
já desenhadas pelo fogo e candura.
Torrentes de lágrimas pelas noites,
roubaram-lhe a alegria, seu encanto,
dessa face de mulher, em açoites...
Essência que perturba, ora fascina,
se recolhe, ao recobrir-se, pelo manto
do amor, sua ânsia intensa. Sua sina...
Celêdian Assis & Oswaldo Genofre
http://recantodasletras.uol.com.br/autores/celedian
http://recantodasletras.uol.com.br/autor.php?id=67489
as suas amarguras, suas cicatrizes.
Ainda que lindo, o sorriso contido,
confia e espera, por dias felizes...
Transita, pela nudez da inocência,
do tempo, por uma nudez madura...
Pela face, estampa dessa existência,
já desenhadas pelo fogo e candura.
Torrentes de lágrimas pelas noites,
roubaram-lhe a alegria, seu encanto,
dessa face de mulher, em açoites...
Essência que perturba, ora fascina,
se recolhe, ao recobrir-se, pelo manto
do amor, sua ânsia intensa. Sua sina...
Celêdian Assis & Oswaldo Genofre
http://recantodasletras.uol.com.br/autores/celedian
http://recantodasletras.uol.com.br/autor.php?id=67489
domingo, 21 de fevereiro de 2010
QUARTETO EM FASES
Um dia menina, airosa e NOVAEncheu-se de sonhos, mesclados
Sonhos do futuro, sonhados
De inocência a toda prova
Outro dia, ainda menina, CRESCENTE
Dias comuns, dias de glória
Toma de súbito a memória
O primeiro beijo ainda ardente
Passa tempo, vem assim, MINGUANTE
Memória, beijo, sonho, inocência...
A velha rotina se instala adiante
Em novos dias de eterna paciência
Não tarda e toma rumo a vida, CHEIA
A esperança tece a sobrevida
Nunca o tempo a tornara perdida
Nem a vida que o tempo permeia
Nova, crescente, minguante ou cheia
Sonhos sonhados, sonhos vividos
Vida vivida, vida sonhada, tempos idos
Tudo se emaranha na grande teia
Das fases da vida às fases da lua
Falta o sol com seu encanto
Onde estão as estrelas, em qual canto
Na imensidão do céu, na alma nua
E se no eclipse ou no crepúsculo
Crescer a sombra, ou a luz minguar
Ainda assim é novo, maiúsculo
O sonho, eternamente a se renovar
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
SONHO ALHEIO
http://www.girafamania.com.br/passaro/cuiaba-ema1.jpgA ave gigante dispara
Numa garbosa correria
Atrai um olhar atento
A Ema não está só
Traz consigo a menina
Montada serenamente
Observa encantado o homem
A imagem do seu sonho
Da calmaria, da paz, do sossego
Tenta chamá-la para perto
Atraindo-a com a força
De um desejo contido
Vem a ema e a menina
Aproximam-se, quase ao alcance
E de súbito, se ausentam
A ema alça um vôo tão alto
Levando para longe a menina
Enquanto corria ao longe
Era real, mas de sobressalto
Quando voa a ema tão perto
Vem a verdade à tona
Que as emas não voam
É sonho, apenas assalto
Na mente, desejo que inverto
A menina que voa ao longe
Apenas seria uma outra
Que em meu coração exalto.
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
AUSÊNCIA
AUSÊNCIA
Sinto falta, desejo, saudade da tua "presença"
Sinto falta, desejo, saudade da tua "presença"
Sinto alegria, felicidade, calma, doces lembranças de ti
Sinto ausência do fogo, da chama a nos consumir
Sinto presente o encanto, latente, eterno, sempre a fluir
Sinto apenas que quero e preciso de ti
Então porquê me ausento e me privo de ti?
Então porquê te ausentas e não te dá a mim?
De mim eu sei, o tempo, atropelos,
A luta da lida, necessidades, consequências,
Mudanças nos rumos pela ordem de sobreviver
Sinto que a vida passa e esvai-se o tempo
E aumenta a saudade na ausência de ti
Sinto que a vida passa e esvai-se o tempo
E aumenta a saudade na ausência de ti
De ti eu não sei, quisera tanto saber.
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
SORRISO MENINO

Dentro bate no peito o coração carente,
Pede uma esmolinha, até leiloa
Com simplicidade, parecendo uma coisa atoa
Ledo engano é um coração ardente
Coração menino tem esperança
As linhas do homem, o destino vem e traça
A inquietude, uma dor que não passa
Da alma do poeta, quieta e mansa
Pouco sorri, mas ingenuamente
Sorri como quem é feliz por pouco
Desnudando sua alma suavemente
Descreve a dor como descreve um canto
Sutileza, entre rosas, ipês, existência e quimeras
O sorriso menino é um doce encanto.
Pede uma esmolinha, até leiloa
Com simplicidade, parecendo uma coisa atoa
Ledo engano é um coração ardente
Coração menino tem esperança
As linhas do homem, o destino vem e traça
A inquietude, uma dor que não passa
Da alma do poeta, quieta e mansa
Pouco sorri, mas ingenuamente
Sorri como quem é feliz por pouco
Desnudando sua alma suavemente
Descreve a dor como descreve um canto
Sutileza, entre rosas, ipês, existência e quimeras
O sorriso menino é um doce encanto.
Primavera de 2007
sexta-feira, 29 de janeiro de 2010
PREFÁCIO
A arte de declamar, a arte de recitar que embalava os doces devaneios de uma menina, não esmaecera com o tempo, apenas adormecera em profundo sono, num tempo rude que suga a vida e que dela rouba a alma. Não pudera o tempo ido desencantar-lhe, nem as mazelas lhe findaram o que tinha no íntimo. Na insustentável sofreguidão do ser, busca incansável a sua maneira de ser, a sua maneira de estar no mundo, em consonância com sua essência.
Lembra-me com saudade, subir ao palco e cheia de graça e uma incontida emoção, desfilando em versos a mais pura forma de homenagear, que fazia inundar de lágrimas os olhos daqueles que viam naquela arte, a mais pura forma de demonstrar amor.
E a menina cresceu e lá se vão muitos anos passados. Não mais subiu em palcos e nem sequer mais recitou, mas lá estava ainda adormecido o gosto bom de gostar, de ver estampado em versos, na expressão da poesia, as inquietudes, anseios, amores, paixões, alegrias e tristezas do ser.
Quanto mudou o mundo, quanto as pessoas se distanciaram, quanta modernidade. O mundo que era real destoa da realidade. Não mais se encantam com a poesia, quanto outrora, com a mesma fidelidade de sentir a intensidade dos sentimentos. Mas a menina de outrora ainda se emociona ao ver que ainda sobraram aqueles que não sucumbiram ao tempo. Ainda se emociona quando no mundo virtual ou real, depara-se com as poesias que povoaram a sua alma e sua mente na infância.
“Negro com os olhos em brasa,
bom fiel e brincalhão,
era a alegria da casa,
o corajoso Plutão.”
Desde as mais ingênuas às mais requintadas em estilo, todas as que eu conhecera, ficaram para sempre na memória, como a instigá-la, como a despertá-la da inércia contida no sono comprido. Não me bastara a memória apenas, foi preciso ouvir de um doce amigo e grande poeta, dono de um sorriso menino, que a julgara desertora das trevas da literatura:
“Tira a santidade do teu véu, mostra-me os olhos e deixa transparecer mais sorrisos de mãe, de mulher, de poeta e de amor recôndito dentro do teu ser.”
Eis que assim, ressurge em versos tudo que o tempo sugou.
Belo Horizonte, 16 de outubro de 2007
RESSURGE

Qual dom, qual tom imprimira
Em versos, quartetos e tercetos,
Imitando a arte dos sonetos,
Ressurreição conseguira
Como a Fênix, das cinzas renascida
Do recôndito de seu ser, acorda a alma
Da mulher, da mãe, da eterna calma
Por tempo dormente, esquecida
Ei-la que surge, tímida e lentamente...
Das trevas da literatura, despertada
A luz de um poeta inspirou-lhe a mente
Do ego saciado, pelo elogio
Da lembrança dos tempos idos
Veio o poeta, acendeu-lhe o pavio.
Assinar:
Postagens (Atom)



