terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

ESTRELA E FLOR SEREI ENQUANTO...


Serei amor esperança e sempre atenta
Enquanto persistir fogo em alta chama
Enquanto este clamor me esquenta
Serei só coração que por ti clama

Serei a flor que guarda o próprio perfume
Enquanto não o aspiras e não o sentes
Enquanto não tatear cada pétala, incólume
Serei eterna e ao apelo de outra mão, ausente

Serei estrela solitária vagando no firmamento
Enquanto não podes o meu brilho ver a luzir
Enquanto me buscas e busca teu alento
Serei luz intensa guardada para em ti refletir

Serei jardim orvalhado até que me aqueças
Enquanto flor que quieta espera os suaves toques
Enquanto estrela que pouco brilha, até que só a ti apeteça
Serei constelação desconhecida, até que me invoques

Serei flor e jardim, serei estrela e constelação
Serei o que quiseres, serei poesia, teu canto
Enquanto bater louco no peito, o meu coração
Enquanto cultivar e cuidar do meu encanto

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

BARULHOS DO SILÊNCIO


Foto by Celêdian Assis - Lua cheia da minha janela - Belo Horizonte 03/12

Hoje não ouço sons de estrelas,
nem mesmo as vejo cadentes.
Não ouso pois, percebê-las,
em seus brilhos tão silentes.

Ouço raios bruxeleantes,
da lua cheia, em cio luzidio,
com os seus ruídos exultantes,
que acordam ecos que silencio,

nas sombras surdas distantes,
de um pensamento fugidio,
em notas tão dissonantes.

Ouço da lua, seus murmúrios,
e no meu silêncio lancinante,
me aliviam os seus barulhos.


SONETO DA ESSENCIALIDADE


Foto By Jones Poa - Cais do Porto - Porto Alegre – Brasil - Nov. 2011

Dissiparam-se toda as dores,
outrora aportadas no peito,
libertam-se soberbas cores,
descansadas na paz do leito.

Na calmaria, uma paz aquiescida,
não há solidão que amedronte,
solitária quedo-me esquecida,
além dos limites do horizonte.

Atracando-me à margem, frugal,
reluto em deixar-me à deriva,
ancorando-me fundo, abissal.

Na lâmina d’água clara e calma
refletem: em eterna evocativa,
essências, que navegam n’alma.

sábado, 20 de outubro de 2012

Apresentação da coletânea GANDAVOS - OS CONTADORES DE HISTÓRIAS

Desenho da capa pelo artista pernambucano Edmar Sales

GANDAVOS – OS CONTADORES DE HISTÓRIAS é uma coleção de histórias, memórias, dores, delícias, pecados, bondades, tragédias, sucessos, sentimentos pensamentos, questionamentos, resultante da feliz ideia de Carlos Lopes, que através de seu Blog de mesmo nome e que agora completa um ano no ar, reuniu excertos selecionados de diversos autores brasileiros. A coletânea reuniu, predominantemente, textos que remetem às lembranças da infância e adolescência, que marcam e fazem denotar, às vezes, certo saudosismo e em outras apenas fazem realçar os reflexos ou implicações, do que as experiências vivenciadas e individuais trouxeram de valores através dos tempos, para cada autor.

Em outros textos há abordagens de temas que remontam ao tempo em aspectos que aludem às origens, costumes, tradições regionais. As lendas [Do latim, legenda, “coisas que devem ser lidas”.] oriundas de tempos imemoriais e popularmente aceitas como verdades, as histórias fantasiosas ligadas a pessoas verdadeiras, acontecimentos ou lugares, são narradas com extrema originalidade.  Contando com autores de vários Estados, Amazonas, Mato Grosso, Minas Gerais, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, assegura-se no conjunto, uma rica contribuição para a divulgação da cultura diferenciada do nosso vasto Brasil.

Há textos de caráter ficcional e histórias reais, que constituem um conjunto diversificado e moderno, que busca privilegiar a individualidade criativa, uma reconcepção da forma de expressão literária, que usa da liberdade concedida aos autores para se expressarem criativamente, sem obediência rígida a regras, preceitos, a uma gramática, a um código ou a um modelo convencional de escrita, já que hoje “aceita-se” que nenhuma forma de expressão literária pode estar sujeita a regras castradoras da sua concretização artística. Contudo, a linguagem própria de cada autor nessa coletânea, revisada pelos mesmos, sem rebuscamentos, despretensiosa, cumpre em cada texto, a sua função de comunicação, com efeito, servindo de instrumento, ponte, mediação para a comunicação, articulando com o leitor, uma interação que favorece e provoca o seu envolvimento de uma forma leve e agradável.

Eis portanto, nesta obra, uma excelente oportunidade do leitor se defrontar com uma leitura prazerosa, de realidades distintas, mas que de uma forma bem sutil consegue transportá-los a lugares, no tempo e no espaço, inimagináveis, além de, em algumas situações, remetê-los às suas próprias recordações.

Celêdian Assis de Sousa
Belo Horizonte - MG

Autores:
Carlos Lopes, Celêdian Assis de Sousa, Fábio Ribas, Gilberto Dantas, Augusto Sampaio Angelim, Geraldinho do Engenho, José Soares de Melo, Maria Olimpia Alves de Melo, Adriane Morais, Ana Bailune, Carlos Costa, José Eduardo Costa, Dilermando Cardoso, Jorge Farias Remígio e Fernando José carneiro de Souza. Ilustração da capa:Artista Edmar Sales



sábado, 25 de agosto de 2012

APRESENTAÇÃO DO LIVRO "DEDOS DE PROSA - DE CONTO EM CONTO" (Por Celêdian Assis)


APRESENTAÇÃO

Registrar em um livro o mergulho solitário nas reminiscências, na memória do que se viveu ou até mesmo o que não foi vivenciado, mas que de alguma forma marcou o imaginário, é como emergir desse mergulho e trazer à tona, aos olhos do leitor, a possibilidade de que ele mergulhe em sua própria história, seja pela semelhança, ou até mesmo pela diferença – contudo, jamais sem que o leitor fique indiferente ao convite à reflexão. Ao ler o livro Dedos de Prosa, seja na sequência de conto a conto, ou folheando um ou outro aleatoriamente, confirma-se tal intento.
Dedos de prosa é uma coletânea de contos, ambientados no estado natal do autor, Pernambuco, em cuja edição o autor utiliza também o espaço, com ilustrações em fotografias e desenhos, tornando as histórias mais verossímeis e cumprindo também o papel de homenagear pessoas que lhe são caras, além de outras pessoas, cenas e lugares, que o remetem às lembranças, ou que foram o norte de suas inspirações. es com fotografias, tornando as hists eram coisa de pobresSão histórias completas e fechadas e em cada uma delas há uma nova ação, caracterizadas pela concisão e precisão, além de uma densidade poética sem extremos, nada é tão pesado, nem tão leve, mas que causam no leitor, efeitos de inquietação, excitação e emoção. O autor alterna histórias da infância, da juventude e as da vida adulta, quebrando o ritmo de continuidade, de sequência cronológica, conferindo-lhes a característica de atemporalidade. Da mesma forma, ele funde situações reais às outras ficcionais, aludindo aos fatos ou criando cenas, cenários e personagens que se encaixam perfeitamente neste jogo lúdico de dar vida à sua história.
Carlos Lopes narra com muita naturalidade em alguns textos que remontam à infância, tais como (Inha, um doce de papagaio; Pedrinha; A Roda e o chão) - entre outros, a simplicidade de uma criança, a ingenuidade das brincadeiras, a curiosidade, a criatividade diante dos poucos recursos das épocas específicas e o apego aos animais. Em alguns textos aparecem referências já na idade adulta como repercussões das lembranças e aprendizados da infância. Outros se referem às passagens da juventude, às travessuras, o princípio da independência, os sonhos, os arroubos de paixão, sempre permeados de reflexões de cunho psicológico (reações do homem diante da paixão, do prazer das descobertas), ou ainda naqueles textos que já na idade adulta, o autor propõe reflexões filosóficas de cunho moral e social, sobre a miséria humana (A moça do jornal) e sobre comportamento do homem diante de suas mazelas na vida.
Outro aspecto marcante do autor é a forma como ele se relaciona afetivamente com seus animais de estimação e como ele lhes dá um espaço de protagonistas (Otávio, Tutinha e os outros) de suas próprias histórias, dando-lhes voz própria, como se fossem eles próprios a narrá-las, com surpreendente realismo. Em outros momentos a afetividade torna-se novamente o ponto alto da narrativa, quando rende homenagens aos amigos, quando refere ao pai ou à mãe com admiração e respeito e às muitas lembranças que são motes da maioria de seus textos. Carlos Lopes desta forma empresta aos seus textos, a sua percepção sensível e simples sobre a nobreza dos sentimentos e enlaça o leitor pela simplicidade da emoção.
A linguagem, os costumes da cultura regional são colocados de forma clara e agradável, o que deixa o leitor à vontade e que permite a ele penetrar nos ambientes, nas cenas como se elas lhe fossem familiares. Há que se destacar igualmente, a importância da contribuição do autor para a valorização e preservação da cultura local. Trata-se, portanto, de uma obra admirável.
Tenho imenso orgulho em apresentar essa, que é a segunda obra do autor e amigo Carlos Lopes e a quem agradeço pela generosidade e confiança.

Celêdian Assis de Sousa
Belo Horizonte - MG

quinta-feira, 21 de junho de 2012

TRIBUTO A MACHADO DE ASSIS

Machado de Assis - Imagem Google

A 21 de junho de 1839 nascia Machado de Assis, para se tornar posteriormente o gênio da literatura brasileira e eternizar-se na memória de nossa cultura. Rendo-lhe a minha simples homenagem, longe de qualquer pretensão de chegar pelo menos aos pés do que ele representa para mim: o maior escritor e poeta de todos os tempos. De seu belíssimo soneto Círculo Vicioso, em versos alexandrinos, faço em versos bárbaros e sem maiores técnicas, uma inversão da inveja e do ciúme entre estrelas, sol, lua e vagalume, na minha própria inveja da poesia de Machado. 
CÍRCULO VICIOSO
MACHADO DE ASSIS
Bailando no ar, gemia inquieto vaga-lume :
— Quem me dera que fosse aquela loura estrela,
que arde no eterno azul, como uma eterna vela !
Mas a estrela, fitando a lua, com ciúme :

— Pudesse eu copiar o transparente lume,
que, da grega coluna à gótica janela,
contemplou, suspirosa, a fronte amada e bela !
Mas a lua, fitando o sol, com azedume :

— Mísera ! tivesse eu aquela enorme, aquela
claridade imortal, que toda a luz resume !
Mas o sol, inclinando a rútila capela :

— Pesa-me esta brilhante auréola de nume...
Enfara-me esta azul e desmedida umbela...
Porque não nasci eu um simples vaga-lume?

REVERSO
(Por Celêdian Assis)
Vagam sós, com seus lumes em etérea altura,
as estrelas, recolhidas no azul escuro e tépido
não clamam solidão, ou outra suposta agrura
nem ciúmes ou inveja, da lua, de brilho lépido

D’outro canto as espreita a lua -  e murmura:
- Estrelas são como vagas, no celeste mar trépido
nas noites escuras, alumia-no de formosura,
assim como o sol, ao dia, como fogo intrépido.

Eis que surge a aurora e a luz do sol captura
que faz vagar seus raios quentes, em séquito
aos lumes da lua, que na noite se enclausura

Do ciúme, entre estrelas, lua e sol, implícito
Da inveja d’um vagulume em poesia pura
Inverto vicioso círculo em amor explícito. 

Texto-fonte: Círculo Vicioso
Obra Completa, Machado de Assis, vol. III,
Nova Aguilar, Rio de Janeiro, 1994.
Publicado originalmente em Poesias Completas, Rio de Janeiro: Garnier, 1901.

terça-feira, 12 de junho de 2012

A SAGA DE UM PEDRO - AMOR E LUTA TRAÇANDO DESTINOS


APRESENTAÇÃO

A Saga de um Pedro – Amor e luta traçando destinos - é uma narrativa envolvente e emocionante, que se desenrola em torno de personagens de existências reais, mas que às vezes assume características peculiares de enredo ficcional, pelas tão intensas relações de convívio do protagonista com o seu mundo, por sua luta árdua e incansável, pela sua sobrevivência e dos seus, as quais influenciaram tanto os seus comportamentos.

O autor Carlos Lopes muniu-se de elementos de uma extensa pesquisa genealógica, que fez durante anos e que combinados à sua sensibilidade, reproduziu lugares, imagens, sons, ritmos e movimentos que por si sugerem a realidade de cada cenário, de cada cena da vida real, trazendo significados aos sonhos, à ilusão e à realidade da vida de homem.

O texto assume uma forma muito interessante, pois embora seja tratado pelo autor como uma biografia, é narrado em primeira pessoa, numa clara alusão de que o próprio protagonista da história, o Senhor José dos Santos Gonçalves, o esteja narrando. É uma maneira inusitada e criativa, que dá a exata dimensão da proximidade do autor com a história, do conhecimento com riqueza de detalhes e até da intimidade com os sentimentos do protagonista. O livro tem um outro aspecto também muito interessante, quando nos deparamos com capítulos, que bem poderiam ser crônicas avulsas, com sentido completo, no entanto, se complementam, numa seqüência lógica, brilhantemente conduzida na linha do tempo. É permeado de diálogos curtos, conduzidos sempre pelo autor com o cuidado de preservar a linguagem regional, guardando a simplicidade de cada personagem.

A história vivida em várias regiões do país e cujo enredo se desenvolve a partir da infância do Senhor José, que apesar do susto inicial e do estigma de maldade associado às suas traquinagens, muda o seu conceito e iniciando-se assim um novo ciclo de aprendizados, que o levaram aos valores verdadeiros do bem, que vão sendo delineados a cada nova descoberta, a cada nova aventura, à medida que a vida lhe ensinava a entender a importância do amor, da família, amizade, da solidariedade.

E em perfeita sintonia, muitas vezes como personagem da história, Carlos Lopes, soube com maestria, demonstrar em sua carinhosa homenagem ao seu pai, além de respeito por sua luta pela vida, que o verdadeiro amor pela família, a cumplicidade e tolerância da esposa e dos filhos, foram determinantes para traçar-lhe o destino, o que hoje garante a ele a tranquilidade junto aos seus.

Sinto-me privilegiada e honrada pelo convite para apresentar esta obra, o que me atribui a enorme responsabilidade de passar com fidelidade, o que pude sentir de emoção, ao acompanhar linha a linha, a saga de um Pedro, retratada pela rara percepção de seu filho, o autor e amigo, Carlos Lopes.

Celêdian Assis de Sousa
Belo Horizonte – MG

O livro encontra-se à venda no site do escritor Carlos Lopes: 
http://gandavos.blogspot.com

quarta-feira, 23 de maio de 2012

OLHARES CONTRASTANTES

Foto by Celêdian Assis - Vista da minha janela - Piracema/MG - Maio 2012



Há uma incontrastável frieza
Nos opacos matizes da brumas
De um inverno gélido e inexaurível
Instalado súbita e sorrateiramente
nos ares mornos de um outono invisível.

Há incúria em um olhar perdido
Em uma indevassável sensação
De ser dissoluto o pensamento
que a névoa ousou embotar-lhe
naquele indefinível momento.

Mas eis que há a alma resiliente
(ao inverno que se instalou breve)
que repara com o olhar agora atento,
na mais outonal expressão,
nos sentidos, o renascimento.

E no mais contrastante sentimento
brotando do cerne, um calor latente,
dissiparam-se os nevoeiros diáfanos,
que esparsos diluíram-se aos olhos
tornando inefável, a orgia da mente.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

POEMINHA PARA UM ESPLÊNDIDO CREPÚSCULO

Foto by Joel Gomes Teixeira - Irati - Paraná - Brasil

Na ourivesaria da natureza

desenha-se a joia mais rara,

no crepúsculo que vejo,

no céu de ouro ornado,

no contraste esverdeado,

da mata em esmeralda,

onde contemplo extasiada,

o fim de um dia iluminado.

É a jóia mais rica talhada,

pelos dedos do hábil Ouvires

em sua obra encantada. 

sexta-feira, 18 de maio de 2012

FAMÍLIA – A ÁRVORE DA VIDA

Foto by Celêdian Assis - Jardins da PUC Minas - Contagem - 2011


Um solo virgem, que regado por águas,
da nascente da esperança, torná-se fértil,
para receber sementes, dos frutos do amor.

Plantadas com fé, criando as raízes,
que sorvem do solo, a seiva da vida
e projetam à luz, o caule ainda frágil.

E ele cresce forte, com o ar que respira,
com a luz, os sais e água que absorve,
resistindo aos ventos e às chuvas torrenciais.

Origina os galhos e os lança ao mundo.
Recobrindo-lhes de folhas, tornando espessa a copa
e que às vezes caem, pela força das estações.

E ela oferta as sombras, como suaves carinhos.
Protegendo seus galhos, nutrindo o solo,
alimentando as raízes, da seiva forte que elaborou.

Os galhos prosperam e gestam flores e frutos
e eles engravidam de outras sementes,
que em ciclos perfeitos, renovam a vida.

Solo irrigado de esperança, de raízes profundas do afeto, 
de caule e galhos fortes, como seios que sustentam,
de folhas que protegem, de frutos sãos, maduros e fartos,
que crescem em segurança e fecundam as sementes,
nasce como a árvore mais frondosa, a família, 
que  perpetua-se, como a árvore da vida. 

Este poema foi escrito para a roda de interação proposta por Norma Emiliano, do blog: http://pensandoemfamilia.com.br/blog/  
como forma de demonstrar o apreço à instituição Família, por ocasião da comemoração do DIA DA FAMÍLIA, que se celebra em 15 de maio. 

domingo, 29 de abril de 2012

TRIBUTO AO AMIGO JOSÉ CLÁUDIO - CACÁ

Pico de Itabira - MG (imagem Google)

A cidade de ferro, cidade da poesia,
Do tupi, Ita, pedra e bira, que brilha,
A Itabira gerou Drumond e a alegria,
Moldou José Cláudio, em igual trilha.

De José Felipe e de Dona Maria Delfina,
O filho herdou o José, também  o Adão,
Da prole, oito irmãos, a família genuína,
Amor e filhas, forças de sua emoção.

Em todas as suas andanças, peregrinação,
Viveu em Mariana, nossas Minas tão Gerais,
Sonhou sonhos que eram só seus, a ilusão,
De resgastar a aura romantica dos festivais.

Em suas buscas, no Horizonte Belo aportou,
Na sua rica história, muitas mazelas e alegria,
Desacertos, tombos e muitas vitórias somou,
Das pedras no caminho, degraus para alforria.

Homem de ferro, espírito forte e de vontade,
Doce homem da poesia, o amigo tão sensato,
Doa-nos a beleza d’alma, com a simplicidade,
Retrata o dia a dia, na prosa o talento nato.

Espiritualidade, coerência e a consciência,
Esteios do seu ético e fiel comportamento,
Merece de todos o respeito, pela decência,
Todo sucesso na vida é seu merecimento.

*Todo o meu carinho e amizade a você, Zé.
Celêdian Assis

domingo, 4 de dezembro de 2011

VOOS E VOZES

Fotografia by Joel Gomes - Irati - PR - Brasil

VOOS E VOZES

Sopra uma aragem

e em pousos acidentais

balouçam segredos,

pensamentos triviais

suscitam desejos,

de voo longínquo

e outros bafejos,

de ser ubíquo,

em sonhos alados,

voar e pousar,

rompendo o vento

e significados

da voz das coisas.

Celêdian Assis - 21/11/11


domingo, 20 de novembro de 2011

TÚNEL

Foto acidental por Celêdian Assis - Piracema 09/11

Hoje acordei assim:

Taciturna,

Sorumbática,

Macambúzia.

Sensação estranha

de falibilidade,

inércia,

não presumida,

nem consentida.

Listei na memória,

livros e textos que não li,

amigos que não revi,

poesias que não escrevi,

impressões que não troquei,

amores que não senti,

coisas que não conclui,

tanto que não aprendi,

na vida que já vivi.

É como se me perdesse

no labirinto de mim,

de um tempo túnel,

espiralizado e no fundo,

concêntrica(mente),

me encontro estranhamente

só com a presença de mim.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

TATUAGEM

Foto por Celêdian Assis - Jardins da PUC em Contagem - MG - outubro de 2011

Ali no velho tronco,

uma pele surrada

de sol, luz e calor,

de chuva, seiva

de vento, idas e vindas

do tempo, sobrevivente,

imitando casca de gente

que o tempo tatuou

e resistente, guarda

no tronco erguido

marcas de um seio

que alimenta a vida.

Celêdian Assis - 13/10/11

sábado, 5 de novembro de 2011

POSSIBILIDADES (poema 5)

Foto by Jones Poa - Porto Alegre - RS

TEMP(O)RALIDADE e ABSTRAÇÕES

Série de poemetos meus inspirados na obra de Jones A. dos Santos, psicólogo, psicoterapeuta e segundo palavras dele, experimentador das artes ( escultura, pintura, escrita e fotografia ), Porto Alegre - RS – Brasil. http://ensaiosjones.blogspot.com/ e http://jonespoa.blogspot.com

POSSIBILIDADES

Já descorada, debruçou exausta,

ignorou o verde à sua volta,

sabe que será húmus,

depois de fartar-se da seiva,

que outrora encontrou bruta,

planeja juntar-se às outras,

para elaborar outras vidas.

Os homens?

Não podem adubar o chão,

quando finda a vida,

apenas podem deixar sementes,

se férteis ou não,

depende se suas sábias escolhas.

Celêdian Assis

03/10/11

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

NATURAL(IDADE) (poema 4)

Do álbum de fotos de Jones Poa- RS

TEMP(O)RALIDADE e ABSTRAÇÕES

Série de poemetos meus inspirados na obra de Jones A. dos Santos, psicólogo, psicoterapeuta e segundo palavras dele, experimentador das artes ( escultura, pintura, escrita e fotografia ), Porto Alegre - RS – Brasil. http://ensaiosjones.blogspot.com/ e http://jonespoa.blogspot.com

NATURAL(IDADE)

Tempo, intempéries

metamorfose

contraste de vida verde

e rugas enegrecidas

pintas, nevos, sardas

superficialmente marcada

ainda guarda, um tom dourado

tal como peles surradas de gente

os brilhos únicos da senescência


Por Celêdian Assis - 03/10/11

domingo, 23 de outubro de 2011

ABRAÇO (Poema 3)

Aquarela "Abraço" do artista Jones Poa - RS

TEMP(O)RALIDADE e ABSTRAÇÕES

Série de poemetos meus, inspirados na obra de Jones A. dos Santos, psicólogo, psicoterapeuta e segundo palavras dele, experimentador das artes ( escultura, pintura, escrita e fotografia ), Porto Alegre - RS – Brasil. http://ensaiosjones.blogspot.com/ e http://jonespoa.blogspot.com

ABRAÇO

Aninhadas as formas,

contornos aconchegados,

no olho mágico,

de olhar terno,

vislumbro afetos,

nas nuances suaves,

da carícia de um abraço


segunda-feira, 17 de outubro de 2011

ANOITECER NO LAGO (Poema 2)

Anoitecer no lago - fotografia do álbum de Jones Poa

TEMP(O)RALIDADE) e ABSTRAÇÕES

Série de poemetos inspirados na obra de Jones A. dos Santos, psicólogo, psicoterapeuta e segundo palavras dele, experimentador das artes ( escultura, pintura, escrita e fotografia ), Porto Alegre - RS – Brasil. http://ensaiosjones.blogspot.com/ e http://jonespoa.blogspot.com

ANOITECER NO LAGO

Pairam na lâmina d'água,

cisnes, reflexos e cores,

espelhando a leveza,

do dia que definha langue,

exaurindo os últimos fios dourados,

legando à noite, lugar,

para que ela ainda tímida,

lance os primeiros fios de prata

e aos olhos do homem,

restitua a paz, harmonia,

que se refratam na alma.

por Celêdian Assis, quinta, 29 de setembro de 2011

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

FLORES MORTAS CHEIAS DE VIDA (Poema 1)

Fotografia de Jones Poa - flores de jacarandá espalhadas pelo vento nas calçadas de Porto Alegre – RS - Brasil

TEMPO(ORALIDADE) e ABSTRAÇÕES

Série de poemas inspirados na obra de Jones A. dos Santos, psicólogo, psicoterapeuta e segundo palavras dele, experimentador das artes ( escultura, pintura, escrita e fotografia ), Porto Alegre - RS – Brasil. http://ensaiosjones.blogspot.com/ e http://jonespoa.blogspot.com

Ao amigo Jones Poa, o meu agradecimento por disponibilizar seu belíssimo acervo de fotografias e aquarelas, que traz em cada uma delas a manifestação da vida, nas suas mais inusitadas formas. Obrigada meu amigo Jones.

FLORES MORTAS CHEIAS DE VIDA

As flores de jacarandá,

como que desmaiadas na calçada,

atapetando-a e indefesas,

sustentando apenas a própria leveza,

deixam-se levar ao sabor do vento,

para exalar seus perfumes,

pintando de suaves cores,

caminhos por onde,

olhares sutis desfilam

e inebriados todos os sentidos,

extasiam-se pela beleza,

das já mortas flores,

que ainda assim insistem,

em dar vida às nossas emoções.

(por Celêdian Assis)

sexta, 16 de setembro de 2011

terça-feira, 20 de setembro de 2011

APRESENTAÇÃO DO LIVRO ARDENTIA




APRESENTAÇÃO

A obra Ardentia é do começo ao fim um convite à elevação do pensamento ao mais alvissareiro caminho, o qual pode nos conduzir à consciência de sermos e estarmos inseridos no mundo, com o único objetivo de sermos felizes, encontrando a harmonia entre nós e o meio. O poeta Claudio Santos, tem a característica marcante de manter o altruísmo em uma linha constante, enlevando os sentimentos e envolvendo o leitor com o seu contagiante positivismo. Traz em seu estilo inusitado, a peculiaridade de produzir sonoridade, intensidade, arrebatamento, traduzindo-se palavras e versos em mais pura emoção. A sua obra é também a representação de sua trajetória na vida, experiências vividas, sonhos, desejos, anseios, que se concretizam com a superação, na alegria de “Ter morrido homem e renascido poeta...“.

Já no início em, Vá com Deus, percebe-se a sua firmeza e as suas certezas, que vão se fortalecendo a cada poema. Na exaltação da poesia como o pilar de sustentação de suas emoções, deixa extravasar da alma o alimento que dá a si próprio e com o qual se sustenta, “Só consigo entender a vida, através da inconfundível melodia, da poesia!” e que igualmente serve de alimento ao seu leitor, “Todo o meu ser pulsa essa meta: servir de seta, para quem na vida resolveu se voltar para a subida”. Inspira-se na simplicidade das coisas, na magnitude da natureza, na intimidade da alma e faz de cada verso um canto, que brota naturalmente das suas convicções, “Em algum momento, a mente desembaça...O sol interior volta a falar mais alto...”. Emociona-se e emociona-nos grandemente, com calma prega esperança, “Simples assim, não existe fim, apenas, transformação!” Com tranquilidade, demonstra confiança no seu caminhar rumo ao seu alvo maior, o de compartilhar o positivo, o construtivo, o evolutivo, “Meu sonho é abrangente. Abraça toda a gente...”. Sabe que metamorfoseando sempre, nasce, cresce, morre, renasce e se agiganta. Com a mesma firmeza e lucidez grita a injustiça, repreende a insensatez, “Sem os, absurdamente badalados, vilões, sem, os malfadados grilhões, o mundo será melhor!”. Sem perder de vista a sua espontaneidade, fala de suas paixões com naturalidade, “A paixão, deixa-nos mais pulsantes, mais vivos, em múltiplos sentidos”. Com a percepção dos sentidos apurada para a criação, vê maravilhado e transforma em poesia, o nascer de um dia especial na beleza das flores, na simplicidade das atitudes dos animais, na magia celestial, no brilho das manhãs douradas de sol, e como a um jardineiro, planta, aduba, rega e cuida do que lhe é caro na vida, o sabor de sentir e passar emoção.

E é assim que a leitura do livro de Cláudio Poeta, que nasceu de seu dom natural para a poesia, nos transporta à emoção, “ Esbanjando harmonia, dentro de sua sinfonia, plena de ardentia!

Diante de tão vasta criação poética, arremato com toda a minha admiração, que o leitor certamente encontrará na oportunidade de ler, Ardentia, o prazer inenarrável de desfrutar de momentos ímpares de deleite com a autêntica poesia.

Honrada e emocionada, agradeço pela oportunidade de apresentar tão bela obra.

Celêdian Assis de Sousa



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