quinta-feira, 21 de junho de 2012

TRIBUTO A MACHADO DE ASSIS

Machado de Assis - Imagem Google

A 21 de junho de 1839 nascia Machado de Assis, para se tornar posteriormente o gênio da literatura brasileira e eternizar-se na memória de nossa cultura. Rendo-lhe a minha simples homenagem, longe de qualquer pretensão de chegar pelo menos aos pés do que ele representa para mim: o maior escritor e poeta de todos os tempos. De seu belíssimo soneto Círculo Vicioso, em versos alexandrinos, faço em versos bárbaros e sem maiores técnicas, uma inversão da inveja e do ciúme entre estrelas, sol, lua e vagalume, na minha própria inveja da poesia de Machado. 
CÍRCULO VICIOSO
MACHADO DE ASSIS
Bailando no ar, gemia inquieto vaga-lume :
— Quem me dera que fosse aquela loura estrela,
que arde no eterno azul, como uma eterna vela !
Mas a estrela, fitando a lua, com ciúme :

— Pudesse eu copiar o transparente lume,
que, da grega coluna à gótica janela,
contemplou, suspirosa, a fronte amada e bela !
Mas a lua, fitando o sol, com azedume :

— Mísera ! tivesse eu aquela enorme, aquela
claridade imortal, que toda a luz resume !
Mas o sol, inclinando a rútila capela :

— Pesa-me esta brilhante auréola de nume...
Enfara-me esta azul e desmedida umbela...
Porque não nasci eu um simples vaga-lume?

REVERSO
(Por Celêdian Assis)
Vagam sós, com seus lumes em etérea altura,
as estrelas, recolhidas no azul escuro e tépido
não clamam solidão, ou outra suposta agrura
nem ciúmes ou inveja, da lua, de brilho lépido

D’outro canto as espreita a lua -  e murmura:
- Estrelas são como vagas, no celeste mar trépido
nas noites escuras, alumia-no de formosura,
assim como o sol, ao dia, como fogo intrépido.

Eis que surge a aurora e a luz do sol captura
que faz vagar seus raios quentes, em séquito
aos lumes da lua, que na noite se enclausura

Do ciúme, entre estrelas, lua e sol, implícito
Da inveja d’um vagulume em poesia pura
Inverto vicioso círculo em amor explícito. 

Texto-fonte: Círculo Vicioso
Obra Completa, Machado de Assis, vol. III,
Nova Aguilar, Rio de Janeiro, 1994.
Publicado originalmente em Poesias Completas, Rio de Janeiro: Garnier, 1901.

18 comentários:

  1. Bela homenagem Celedian ao grande Machado, com versos perfeitos no reverso com todo carinho à obra Machadiana.Voce brilhou amiga poetisa com sua sempre iluminada inspiração.
    Carinhoso abraço.
    Aplausos com admiração.
    Bjo.

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  2. Mas, e o que falar, minha querida Poetisa?

    Se nos versos de Machado existe uma magia implícita e corrente, que retoma ao vagalume sua prosa inicial, numa corrente de invejas e desejos, e que tão bem demonstra que jamais estamos satisfeitos com nada, o teu REVERSO se encarrega de pegar emprestada a magia que Machado usou para encantar, e arrebata os olhos do leitor para dentro de seus versos.

    Fico aqui, quieto e observando ora Machado, ora Celêdian, que se completam num céu formoso e sem invejas. Da lua,do sol, das estrelas e do vagalume, cada um deles há de invejar o brilho de teus versos, minha querida amiga.

    Um verdadeiro espetáculo.

    Bjs, minha querida amiga.

    Marcio

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  3. Eu fico imaginando se toda a inveja humana se reduzisse a produzir algo que melhore ainda mais não só o invejoso, mas que orgulhasse o invejado e a todos os amantes da qualidade, da beleza, da sensibilidade, da imaginação criativa como esse caso aqui, minha querida. Isso é evolução humana. Há ciúmes que vem para bem. E como!!!
    Magnífico, magnífico! Abraços. Paz e bem.

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  4. Um grande mestre... e eu me pergunto: Por que não nasci borboleta?

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  5. Um soneto que conheço de longa data. Um outro que acabo de descobrir. O primeiro de um dos maiores nomes da Literatura mundial. O outro, de uma poetisa excepcionalmente talentosa e dotada de uma "sensibilidade inteligente" como poucos. O soneto do Machado, uma pequena obra-prima, fala do ciclo das invejas, essa imensa cadeia que parte mesmo de um mísero vagalume e alcança até o nosso Astro-Rei. O soneto da Celêdian parte da mesma idéia – a inveja – porém, dá a essa um sentido, senão diametralmente oposto àquele do soneto machadiano, ao menos complementar.

    Aqui, minha tão querida amiga, você nos deu um primoroso exemplo de estilo, de concepção, e mesmo de forma, se ouso dizer. É verdade que seus versos são bárbaros em métrica, são livres da armadura com que se revestem esses alexandrinos de Machado, todavia, eles guardam essas ressonâncias e sonoridades das quais só você tem o segredo, cara amiga. Mesmo rimas toantes de rara beleza como séquito e implícito!

    Como leitor apenas (e perdoe-me a intrusão da minha análise no terreno da sua concepção pessoal), eu vejo nesse despojamento de métrica um elemento de estilo e de caracterização deste seu soneto, especificamente. Uma volição. Posto que o seu se faz antípoda ao de Machado (alexandrinos clássicos com acentuações nas 3as, 6as e 12as sílabas), essa liberdade métrica dele, no entanto, se ajusta como "a mão e a luva" às suas intenções de estabelecer este paralelo literário, tão original e especular.

    Seu soneto, Celêdian, dá uma outra dimensão ao de Machado ― ele o comenta, porém insere uma máxima moral no final, para mim, mais positiva. Ao passo que o machadiano se limita a observra a "transmigração" de um sentimento no caso, a inveja, entre seres díspares, o seu demonstra a realidade da natureza neutra da observação plácida, impessoal, quase "zen" dos astros em relação a si mesmos. Vejo aqui a disposição de duas óticas: a parnasiana e a realista. Seu "Reverso", Celêdian, é soneto de florilégio da poesia brasileira. Sem um mínimo de exagero.

    Muito teria ainda a falar desse magnífico exemplo que aqui você nos dá, porém temo fazer-me posseiro de um espaço reservado apenas a comentários, não a dissertações! *rs perdoe-me pois, querida amiga, pelo extenso que se tornou estas minhas impressões.

    Guardarei esse seu soneto "Reverso" ao lado do "Círculo Vicioso" pois, de agora em diante, eles são inseparáveis para mim. Duas obra-primas no universo luminoso, cintilante, das letras de dois poetas que brilham no firmamento da minha admiração incontestável.

    Continue sempre inspirada assim, minha tão querida amiga, vir beber de suas tão belas (e inteligentes) letras é um verdadeiro deleite para mim. Um grande abraço, meus mais efusivos parabéns, e um bom fim de semana para você.

    André

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  6. Um sensível e inquietante - diria, celediânico - soneto, que acompanha Machado na dança dos versos neste divino salão que são as páginas virtuais do blog. Reverência elegante ao equilíbrio talentoso de palavras que Machado faz uso, como que um feiticeiro e suas poções no burilar dum caldeirão mágico da literatura! A dosagem sucinta de talento mútuo do Bruxo do Cosme Velho e da Apaixonante Desdêmona de Piracema, pitadas geniais de boa escrita. beijo do Jorge, sempre fã. De ambos!

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  7. Olá Celêdian ,
    Adorei a sua homenagem,
    Grande mestre MACHADO DE ASSIS.Lindo demais a postagem.
    Beijos e ótima semana!

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  8. Oiee te encontrei na blogosfera..
    Adoreiii seu blog..
    Tô te seguindo.

    Me visite tbm:
    http://lidiepaulo.blogspot.com.br


    Beijocas :*
    Ótima Noite ")

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  9. Olá, querida
    Bela coletânea do nosso mestre Poeta!!!
    Seja abençoada e feliz!!!
    Bjs de paz

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  10. Minha querida, vim lhe deixar um abraço forte.

    Que belíssima postagem, Cê. Esse escritor fantástico. Lembro-me quando no colégio e no cursinho, ao estudar literatura, tinhamos Machado de Assis, como um dos mais brilhantes (e ainda é) e suas obras me fascinavam.

    Adorei.
    Um beijo,
    Sam

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  11. Celedian,

    Que homenagem incrível para o glorioso Machado de Assis! Poucos podem fazer dueto com este ilustre, mas o seu poema ajustou-se perfeitamente, com sincronia e beleza.
    Venho aqui para aprender, captar dessa inteligência poética tão rara e tão bonita de se ver, faz bem a alma, aos olhos e ao coração.

    Um abraço e o desejo que nunca lhe falte essa inspiração divina na escrita.

    Bjs! Ester.~

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  12. Uau! Fui lendo o segundo poema achando que fosse também do Machado e que grata surpresa poetisa! Parabéns pelos versos, e vivam as estrelas e vagalumes que lhes inspiraram a você e ao Assis. Abraços!

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  13. Minha querida amiga,

    Venho aqui para lhe deixar aquele imenso abraço e matar também a saudade desse seu paraíso.
    (e, coração agradece, você sabe pelo que ;))

    Beijo na alma,
    Sam.

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  14. Viva o Machado!!!


    Foi um gênio que permanece vivo em nossas mentes e livros...


    Seguindo o seu blog, ficarei grata se puder retribuir. Seu comentário é fundamental.

    www.medicinepractises.blogspot.com



    By


    Nathacha Phatcholly

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  15. Linda homenagem ao nosso favorito, Celêdian. Maravilhoso o teu espaço.

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  16. Dalva Molina Mansano30 de janeiro de 2014 23:03

    Um belo soneto o seu, que segue lindamente de mãos dadas com o de Machado de Assis! Parabéns, Celêdian por esse Reverso tão primoroso que aqui imprime o embate entre as grandezas iluminadas e a singeleza não menos bela do vagalume, tudo magistralmente "invertido" por você!

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