quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

FACE DE MULHER

Conta-lhe o tempo (sem sentido),
as suas amarguras, suas cicatrizes.
Ainda que lindo, o sorriso contido,
confia e espera, por dias felizes...

Transita, pela nudez da inocência,
do tempo, por uma nudez madura...
Pela face, estampa dessa existência,
já desenhadas pelo fogo e candura.

Torrentes de lágrimas pelas noites,
roubaram-lhe a alegria, seu encanto,
dessa face de mulher, em açoites...

Essência que perturba, ora fascina,
se recolhe, ao recobrir-se, pelo manto
do amor, sua ânsia intensa. Sua sina...

Celêdian Assis & Oswaldo Genofre

http://recantodasletras.uol.com.br/autores/celedian

http://recantodasletras.uol.com.br/autor.php?id=67489

domingo, 21 de fevereiro de 2010

QUARTETO EM FASES

Um dia menina, airosa e NOVA
Encheu-se de sonhos, mesclados
Sonhos do futuro, sonhados
De inocência a toda prova

Outro dia, ainda menina, CRESCENTE
Dias comuns, dias de glória
Toma de súbito a memória
O primeiro beijo ainda ardente

Passa tempo, vem assim, MINGUANTE
Memória, beijo, sonho, inocência...
A velha rotina se instala adiante
Em novos dias de eterna paciência

Não tarda e toma rumo a vida, CHEIA
A esperança tece a sobrevida
Nunca o tempo a tornara perdida
Nem a vida que o tempo permeia

Nova, crescente, minguante ou cheia
Sonhos sonhados, sonhos vividos
Vida vivida, vida sonhada, tempos idos
Tudo se emaranha na grande teia

Das fases da vida às fases da lua
Falta o sol com seu encanto
Onde estão as estrelas, em qual canto
Na imensidão do céu, na alma nua

E se no eclipse ou no crepúsculo
Crescer a sombra, ou a luz minguar
Ainda assim é novo, maiúsculo
O sonho, eternamente a se renovar

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

SONHO ALHEIO

http://www.girafamania.com.br/passaro/cuiaba-ema1.jpg



A ave gigante dispara

Numa garbosa correria

Atrai um olhar atento

A Ema não está só

Traz consigo a menina

Montada serenamente

Observa encantado o homem

A imagem do seu sonho

Da calmaria, da paz, do sossego

Tenta chamá-la para perto

Atraindo-a com a força

De um desejo contido

Vem a ema e a menina

Aproximam-se, quase ao alcance

E de súbito, se ausentam

A ema alça um vôo tão alto

Levando para longe a menina

Enquanto corria ao longe

Era real, mas de sobressalto

Quando voa a ema tão perto

Vem a verdade à tona

Que as emas não voam

É sonho, apenas assalto

Na mente, desejo que inverto

A menina que voa ao longe

Apenas seria uma outra

Que em meu coração exalto.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

AUSÊNCIA

Igreja de São Francisco - Pampulha- Belo Horizonte


AUSÊNCIA

Sinto falta, desejo, saudade da tua "presença"

Sinto alegria, felicidade, calma, doces lembranças de ti

Sinto ausência do fogo, da chama a nos consumir

Sinto presente o encanto, latente, eterno, sempre a fluir

Sinto apenas que quero e preciso de ti


Então porquê me ausento e me privo de ti?

Então porquê te ausentas e não te dá a mim?


De mim eu sei, o tempo, atropelos,

A luta da lida, necessidades, consequências,

Mudanças nos rumos pela ordem de sobreviver
Sinto que a vida passa e esvai-se o tempo
E aumenta a saudade na ausência de ti


De ti eu não sei, quisera tanto saber.



quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

SORRISO MENINO


Dentro bate no peito o coração carente,
Pede uma esmolinha, até leiloa
Com simplicidade, parecendo uma coisa atoa
Ledo engano é um coração ardente

Coração menino tem esperança
As linhas do homem, o destino vem e traça
A inquietude, uma dor que não passa
Da alma do poeta, quieta e mansa

Pouco sorri, mas ingenuamente
Sorri como quem é feliz por pouco
Desnudando sua alma suavemente

Descreve a dor como descreve um canto
Sutileza, entre rosas, ipês, existência e quimeras
O sorriso menino é um doce encanto.

Primavera de 2007

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

PREFÁCIO



A arte de declamar, a arte de recitar que embalava os doces devaneios de uma menina, não esmaecera com o tempo, apenas adormecera em profundo sono, num tempo rude que suga a vida e que dela rouba a alma. Não pudera o tempo ido desencantar-lhe, nem as mazelas lhe findaram o que tinha no íntimo. Na insustentável sofreguidão do ser, busca incansável a sua maneira de ser, a sua maneira de estar no mundo, em consonância com sua essência.
Lembra-me com saudade, subir ao palco e cheia de graça e uma incontida emoção, desfilando em versos a mais pura forma de homenagear, que fazia inundar de lágrimas os olhos daqueles que viam naquela arte, a mais pura forma de demonstrar amor.
E a menina cresceu e lá se vão muitos anos passados. Não mais subiu em palcos e nem sequer mais recitou, mas lá estava ainda adormecido o gosto bom de gostar, de ver estampado em versos, na expressão da poesia, as inquietudes, anseios, amores, paixões, alegrias e tristezas do ser.
Quanto mudou o mundo, quanto as pessoas se distanciaram, quanta modernidade. O mundo que era real destoa da realidade. Não mais se encantam com a poesia, quanto outrora, com a mesma fidelidade de sentir a intensidade dos sentimentos. Mas a menina de outrora ainda se emociona ao ver que ainda sobraram aqueles que não sucumbiram ao tempo. Ainda se emociona quando no mundo virtual ou real, depara-se com as poesias que povoaram a sua alma e sua mente na infância.

“Negro com os olhos em brasa,
bom fiel e brincalhão,
era a alegria da casa,
o corajoso Plutão.”

Desde as mais ingênuas às mais requintadas em estilo, todas as que eu conhecera, ficaram para sempre na memória, como a instigá-la, como a despertá-la da inércia contida no sono comprido. Não me bastara a memória apenas, foi preciso ouvir de um doce amigo e grande poeta, dono de um sorriso menino, que a julgara desertora das trevas da literatura:

“Tira a santidade do teu véu, mostra-me os olhos e deixa transparecer mais sorrisos de mãe, de mulher, de poeta e de amor recôndito dentro do teu ser.”

Eis que assim, ressurge em versos tudo que o tempo sugou.
Belo Horizonte, 16 de outubro de 2007

RESSURGE




Qual dom, qual tom imprimira
Em versos, quartetos e tercetos,
Imitando a arte dos sonetos,
Ressurreição conseguira

Como a Fênix, das cinzas renascida
Do recôndito de seu ser, acorda a alma
Da mulher, da mãe, da eterna calma
Por tempo dormente, esquecida

Ei-la que surge, tímida e lentamente...
Das trevas da literatura, despertada
A luz de um poeta inspirou-lhe a mente

Do ego saciado, pelo elogio
Da lembrança dos tempos idos
Veio o poeta, acendeu-lhe o pavio.