Conta-lhe o tempo (sem sentido),
as suas amarguras, suas cicatrizes.
Ainda que lindo, o sorriso contido,
confia e espera, por dias felizes...
Transita, pela nudez da inocência,
do tempo, por uma nudez madura...
Pela face, estampa dessa existência,
já desenhadas pelo fogo e candura.
Torrentes de lágrimas pelas noites,
roubaram-lhe a alegria, seu encanto,
dessa face de mulher, em açoites...
Essência que perturba, ora fascina,
se recolhe, ao recobrir-se, pelo manto
do amor, sua ânsia intensa. Sua sina...
Celêdian Assis & Oswaldo Genofre
http://recantodasletras.uol.com.br/autores/celedian
http://recantodasletras.uol.com.br/autor.php?id=67489
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
domingo, 21 de fevereiro de 2010
QUARTETO EM FASES
Um dia menina, airosa e NOVAEncheu-se de sonhos, mesclados
Sonhos do futuro, sonhados
De inocência a toda prova
Outro dia, ainda menina, CRESCENTE
Dias comuns, dias de glória
Toma de súbito a memória
O primeiro beijo ainda ardente
Passa tempo, vem assim, MINGUANTE
Memória, beijo, sonho, inocência...
A velha rotina se instala adiante
Em novos dias de eterna paciência
Não tarda e toma rumo a vida, CHEIA
A esperança tece a sobrevida
Nunca o tempo a tornara perdida
Nem a vida que o tempo permeia
Nova, crescente, minguante ou cheia
Sonhos sonhados, sonhos vividos
Vida vivida, vida sonhada, tempos idos
Tudo se emaranha na grande teia
Das fases da vida às fases da lua
Falta o sol com seu encanto
Onde estão as estrelas, em qual canto
Na imensidão do céu, na alma nua
E se no eclipse ou no crepúsculo
Crescer a sombra, ou a luz minguar
Ainda assim é novo, maiúsculo
O sonho, eternamente a se renovar
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
SONHO ALHEIO
http://www.girafamania.com.br/passaro/cuiaba-ema1.jpgA ave gigante dispara
Numa garbosa correria
Atrai um olhar atento
A Ema não está só
Traz consigo a menina
Montada serenamente
Observa encantado o homem
A imagem do seu sonho
Da calmaria, da paz, do sossego
Tenta chamá-la para perto
Atraindo-a com a força
De um desejo contido
Vem a ema e a menina
Aproximam-se, quase ao alcance
E de súbito, se ausentam
A ema alça um vôo tão alto
Levando para longe a menina
Enquanto corria ao longe
Era real, mas de sobressalto
Quando voa a ema tão perto
Vem a verdade à tona
Que as emas não voam
É sonho, apenas assalto
Na mente, desejo que inverto
A menina que voa ao longe
Apenas seria uma outra
Que em meu coração exalto.
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
AUSÊNCIA
AUSÊNCIA
Sinto falta, desejo, saudade da tua "presença"
Sinto falta, desejo, saudade da tua "presença"
Sinto alegria, felicidade, calma, doces lembranças de ti
Sinto ausência do fogo, da chama a nos consumir
Sinto presente o encanto, latente, eterno, sempre a fluir
Sinto apenas que quero e preciso de ti
Então porquê me ausento e me privo de ti?
Então porquê te ausentas e não te dá a mim?
De mim eu sei, o tempo, atropelos,
A luta da lida, necessidades, consequências,
Mudanças nos rumos pela ordem de sobreviver
Sinto que a vida passa e esvai-se o tempo
E aumenta a saudade na ausência de ti
Sinto que a vida passa e esvai-se o tempo
E aumenta a saudade na ausência de ti
De ti eu não sei, quisera tanto saber.
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
SORRISO MENINO

Dentro bate no peito o coração carente,
Pede uma esmolinha, até leiloa
Com simplicidade, parecendo uma coisa atoa
Ledo engano é um coração ardente
Coração menino tem esperança
As linhas do homem, o destino vem e traça
A inquietude, uma dor que não passa
Da alma do poeta, quieta e mansa
Pouco sorri, mas ingenuamente
Sorri como quem é feliz por pouco
Desnudando sua alma suavemente
Descreve a dor como descreve um canto
Sutileza, entre rosas, ipês, existência e quimeras
O sorriso menino é um doce encanto.
Pede uma esmolinha, até leiloa
Com simplicidade, parecendo uma coisa atoa
Ledo engano é um coração ardente
Coração menino tem esperança
As linhas do homem, o destino vem e traça
A inquietude, uma dor que não passa
Da alma do poeta, quieta e mansa
Pouco sorri, mas ingenuamente
Sorri como quem é feliz por pouco
Desnudando sua alma suavemente
Descreve a dor como descreve um canto
Sutileza, entre rosas, ipês, existência e quimeras
O sorriso menino é um doce encanto.
Primavera de 2007
sexta-feira, 29 de janeiro de 2010
PREFÁCIO
A arte de declamar, a arte de recitar que embalava os doces devaneios de uma menina, não esmaecera com o tempo, apenas adormecera em profundo sono, num tempo rude que suga a vida e que dela rouba a alma. Não pudera o tempo ido desencantar-lhe, nem as mazelas lhe findaram o que tinha no íntimo. Na insustentável sofreguidão do ser, busca incansável a sua maneira de ser, a sua maneira de estar no mundo, em consonância com sua essência.
Lembra-me com saudade, subir ao palco e cheia de graça e uma incontida emoção, desfilando em versos a mais pura forma de homenagear, que fazia inundar de lágrimas os olhos daqueles que viam naquela arte, a mais pura forma de demonstrar amor.
E a menina cresceu e lá se vão muitos anos passados. Não mais subiu em palcos e nem sequer mais recitou, mas lá estava ainda adormecido o gosto bom de gostar, de ver estampado em versos, na expressão da poesia, as inquietudes, anseios, amores, paixões, alegrias e tristezas do ser.
Quanto mudou o mundo, quanto as pessoas se distanciaram, quanta modernidade. O mundo que era real destoa da realidade. Não mais se encantam com a poesia, quanto outrora, com a mesma fidelidade de sentir a intensidade dos sentimentos. Mas a menina de outrora ainda se emociona ao ver que ainda sobraram aqueles que não sucumbiram ao tempo. Ainda se emociona quando no mundo virtual ou real, depara-se com as poesias que povoaram a sua alma e sua mente na infância.
“Negro com os olhos em brasa,
bom fiel e brincalhão,
era a alegria da casa,
o corajoso Plutão.”
Desde as mais ingênuas às mais requintadas em estilo, todas as que eu conhecera, ficaram para sempre na memória, como a instigá-la, como a despertá-la da inércia contida no sono comprido. Não me bastara a memória apenas, foi preciso ouvir de um doce amigo e grande poeta, dono de um sorriso menino, que a julgara desertora das trevas da literatura:
“Tira a santidade do teu véu, mostra-me os olhos e deixa transparecer mais sorrisos de mãe, de mulher, de poeta e de amor recôndito dentro do teu ser.”
Eis que assim, ressurge em versos tudo que o tempo sugou.
Belo Horizonte, 16 de outubro de 2007
RESSURGE

Qual dom, qual tom imprimira
Em versos, quartetos e tercetos,
Imitando a arte dos sonetos,
Ressurreição conseguira
Como a Fênix, das cinzas renascida
Do recôndito de seu ser, acorda a alma
Da mulher, da mãe, da eterna calma
Por tempo dormente, esquecida
Ei-la que surge, tímida e lentamente...
Das trevas da literatura, despertada
A luz de um poeta inspirou-lhe a mente
Do ego saciado, pelo elogio
Da lembrança dos tempos idos
Veio o poeta, acendeu-lhe o pavio.
Assinar:
Postagens (Atom)
