Entre brilhos diáfanos das sombras,
mesmo na suposta opacidade delas,
que escondem as agruras do cotidiano,
aos olhos do poeta, no limite do homem
desenham-se palavras entre espaços,
na linguagem feita de suas escolhas,
em pequenos atos, gestos de ternura,
sem melancolia pelos silêncios e ecos,
mas aguçados pela consciência deles,
ouvidos apenas num ponto imaginário,
num cume, no qual se almeja, ver ao longe,
além de outros pontos, a real coexistência
de lugares e momentos, mágicos e únicos,
onde as sombras falem do sol dos caminhos
e os ventos livres soprem as aragens mornas,
como carícias leves, sussurros de brisa cálida,
esboçando sons tão sutis e ainda dispersos,
onde se supõe, tudo se renova e se apagam
os reticentes pontos de uma vaga existência,
das linhas frias que o destino vai traçando,
deixando entrever caminhos que seguem adiante,
que ora se entrecortam, ora desviam-se os rumos
e ainda que sejam linhas sulcadas na palma clara,
são vias, esses percursos sempre surpreendentes
sabiamente, revelados pelo destino, passo a passo,
que apenas com simplic(idade) e matur(idade)
sagac(idade), seren(idade) e sensibilid(idade)
desvenda-se no poeta, os olhos do homem
quando ele vive a sua maior luminos(Idade).
Nota: esta prosa poética é uma miscelânea da leitura que fiz de poemas do poeta Henrique Mendes (http://etletera.blogspot.com)
domingo, 17 de julho de 2011
sexta-feira, 24 de junho de 2011
RETRATO DAS METADES DA ALMA (Republicado sob novo título)
Como espectro se desenham
Sombras frias entranhadas
Da meia luz que ilumina
Metade de um lado obscuro
E na outra clara metade
Brilho que às vezes ofusca
Ou ilumina o melhor de mim
Imagens projetam idéias
Pensamentos refratam ações
Espelham íntimas ânsias
Em devaneios e reflexões
São ondas que perpassam
Confusos feixes de raios
Distorcem imagens
Na parte opaca de mim
Na outra iluminada metade
A luz se propaga em ondas
Para abissais labirintos
Via das minhas entranhas
Abstrato, ninho subjetivo
Abjuro o abjeto abismo
Redundante instropecto
Deste agônico solilóquio
Resgato-me na superfície
Na ruptura da interna rusga
Desenham outros espectros
Do concreto que me acerca
No objeto inacessível
Do circunlóquio que fiz.
Sombras frias entranhadas
Da meia luz que ilumina
Metade de um lado obscuro
E na outra clara metade
Brilho que às vezes ofusca
Ou ilumina o melhor de mim
Imagens projetam idéias
Pensamentos refratam ações
Espelham íntimas ânsias
Em devaneios e reflexões
São ondas que perpassam
Confusos feixes de raios
Distorcem imagens
Na parte opaca de mim
Na outra iluminada metade
A luz se propaga em ondas
Para abissais labirintos
Via das minhas entranhas
Abstrato, ninho subjetivo
Abjuro o abjeto abismo
Redundante instropecto
Deste agônico solilóquio
Resgato-me na superfície
Na ruptura da interna rusga
Desenham outros espectros
Do concreto que me acerca
No objeto inacessível
Do circunlóquio que fiz.
terça-feira, 14 de junho de 2011
BRUMAS E SONHOS
Envolta em névoa espessa,
esconde-se uma montanha,
de verde pálido, do frio
na agonia final do outono.
Coberta de bruma, qual manta
cruel e contraditoriamente,
como barreira cinzenta
para impedir o gélido ar,
que ao cerne quer adentrar.
Queria ter asas de penas,
coladas com cera de abelhas,
como Dédalo deu a Ícaro.
Queria planar sobre a névoa,
soprar-lhe um hálito quente,
dispersar-lhe, artimanhas
para que raios de sol beijem
intensa e calorosamente,
superfície e entranhas.
Minhas asas coladas com cera
derreteriam ao calor do sol
e eu quedaria contente
na alfombra verdejante,
sem imitar passarinho,
com minh’alma de gente,
que faz poesia dos sonhos
e nela feliz me aninho.
esconde-se uma montanha,
de verde pálido, do frio
na agonia final do outono.
Coberta de bruma, qual manta
cruel e contraditoriamente,
como barreira cinzenta
para impedir o gélido ar,
que ao cerne quer adentrar.
Queria ter asas de penas,
coladas com cera de abelhas,
como Dédalo deu a Ícaro.
Queria planar sobre a névoa,
soprar-lhe um hálito quente,
dispersar-lhe, artimanhas
para que raios de sol beijem
intensa e calorosamente,
superfície e entranhas.
Minhas asas coladas com cera
derreteriam ao calor do sol
e eu quedaria contente
na alfombra verdejante,
sem imitar passarinho,
com minh’alma de gente,
que faz poesia dos sonhos
e nela feliz me aninho.
domingo, 29 de maio de 2011
SIMPLICIDADE E PERFEIÇÃO
abro a velha janela de madeira,
deixo adentrar a luz do sol,
desta manhã fria outonal.
Ignorando a estação,
surpreendentemente florida,
a goiabeira no quintal.
Não bastasse esta visão,
pousado no galho, garboso,
um negro e belo tucano,
de bico colorido sem igual.
Olhou-me inquieto,
alçou um rápido voo,
para o verde bambuzal,
coberto de azul céu.
Longe vigia a montanha,
a simplicidade na mistura,
das cores da liberdade,
beleza tão natural.
pousado no galho, garboso,
um negro e belo tucano,
de bico colorido sem igual.
Olhou-me inquieto,
alçou um rápido voo,
para o verde bambuzal,
coberto de azul céu.
Longe vigia a montanha,
a simplicidade na mistura,
das cores da liberdade,
beleza tão natural.
Sorrindo, feliz eu penso,
a vida é a arte da perfeição.
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tucanos
terça-feira, 24 de maio de 2011
UM PRESENTE INESTIMÁVEL
POETA, FILHA DAS GERAIS
(dedicado à Celêdian Assis)
Erguem-se montanhas
Nos verdes dos teus versos
Erguem-se paisagens matinais
E também noturnas
De estrelas
De madrigais
E da luz natural as farturas
Iluminando o comboio da poesia
Ó, poeta, filha das Gerais
Mulher e poeta em um só corpo poético
Em tudo imagético
Magnético
Poeta de verdes, amarelos e anis
De loiras bandeiras do teu país
Versos desfraldados correm os campos gerais
De lado a lado
Cobertos da rendada neblina
Filó de babado de vestidos de menina
Teus olhos correm além dos cumes
Teus olhos feitos
De ternura e doces ciúmes
Ciúmes das estrofes que são tuas
Correndo pelos campos de flores
Inteiramente nuas
Na cor da pele
Na tez levemente morena
No cheiro das açucenas
E no vento brincando em tuas faces
És poeta maior
Não disfarces
Toma teu poema
Cobre com ele o teu dilema
Poeta de dimensões incalculáveis
Poeta dos imagináveis
E dos inimagináveis
Poeta cujo sublime canto
É feito só de ouro e prata
De pedras preciosas
Do mais caro diamante
Poeta que mina das minas a mais inflamada poesia
Poeta feita de amor
De encanto e de magia
Tânia Meneses
Publicado no Recanto das Letras em 21/07/2010
Código do texto: T2390207
http://www.recantodasletras.com.br/autores/taniamcmeneses
Meu agradecimento: Tânia, minha estimada amiga e poeta de primeira grandeza, aqui me posto beijando as suas mãos carinhosa e agradecidamente, honrada e emocionadamente, por esta poesia que nasceu de uma gestação sobre a sua leitura, muito mais do que meus textos, da minha alma, da minha essência. Você colocou lindamente, a menina, a mulher e a poeta que existem em mim, a minha origem simples de gente que veio do interior, das montanhas de Minas, o meu chão, o meu lar e de onde surgiu o meu olhar de simplicidade para as pessoas e as coisas que me rodeiam. De onde nasceu o meu amor pela poesia e que fizeram deste amor, a minha realização hoje, pois hoje vivo da intensidade das minhas emoções, vividas entre outras coisas, pela felicidade de estar rodeada de gente da mais fina casta de poetas e ainda poder desfrutar-lhes da amizade sincera. Você , Taninha, eu ostento orgulhosamente, como troféu desta amizade, desta conquista que torna meus dias indubitavelmente melhores. Quanto a poeta Tânia Menezes, só posso traduzi-la em poucas palavras, você é a própria poesia. São como partes inseparáveis, interdependentes e como tal, desta relação só poderia nascer a excelência. Suas palavras são suas pernas, seus versos os seus braços, seus poemas coração e alma e no todo você é pura poesia. Obrigada, por este texto indizivelmente belo! Te amo, pessoa linda! Um beijo, de dentro do meu coração.
Celêdian
(dedicado à Celêdian Assis)
Erguem-se montanhas
Nos verdes dos teus versos
Erguem-se paisagens matinais
E também noturnas
De estrelas
De madrigais
E da luz natural as farturas
Iluminando o comboio da poesia
Ó, poeta, filha das Gerais
Mulher e poeta em um só corpo poético
Em tudo imagético
Magnético
Poeta de verdes, amarelos e anis
De loiras bandeiras do teu país
Versos desfraldados correm os campos gerais
De lado a lado
Cobertos da rendada neblina
Filó de babado de vestidos de menina
Teus olhos correm além dos cumes
Teus olhos feitos
De ternura e doces ciúmes
Ciúmes das estrofes que são tuas
Correndo pelos campos de flores
Inteiramente nuas
Na cor da pele
Na tez levemente morena
No cheiro das açucenas
E no vento brincando em tuas faces
És poeta maior
Não disfarces
Toma teu poema
Cobre com ele o teu dilema
Poeta de dimensões incalculáveis
Poeta dos imagináveis
E dos inimagináveis
Poeta cujo sublime canto
É feito só de ouro e prata
De pedras preciosas
Do mais caro diamante
Poeta que mina das minas a mais inflamada poesia
Poeta feita de amor
De encanto e de magia
Tânia Meneses
Publicado no Recanto das Letras em 21/07/2010
Código do texto: T2390207
http://www.recantodasletras.com.br/autores/taniamcmeneses
Meu agradecimento: Tânia, minha estimada amiga e poeta de primeira grandeza, aqui me posto beijando as suas mãos carinhosa e agradecidamente, honrada e emocionadamente, por esta poesia que nasceu de uma gestação sobre a sua leitura, muito mais do que meus textos, da minha alma, da minha essência. Você colocou lindamente, a menina, a mulher e a poeta que existem em mim, a minha origem simples de gente que veio do interior, das montanhas de Minas, o meu chão, o meu lar e de onde surgiu o meu olhar de simplicidade para as pessoas e as coisas que me rodeiam. De onde nasceu o meu amor pela poesia e que fizeram deste amor, a minha realização hoje, pois hoje vivo da intensidade das minhas emoções, vividas entre outras coisas, pela felicidade de estar rodeada de gente da mais fina casta de poetas e ainda poder desfrutar-lhes da amizade sincera. Você , Taninha, eu ostento orgulhosamente, como troféu desta amizade, desta conquista que torna meus dias indubitavelmente melhores. Quanto a poeta Tânia Menezes, só posso traduzi-la em poucas palavras, você é a própria poesia. São como partes inseparáveis, interdependentes e como tal, desta relação só poderia nascer a excelência. Suas palavras são suas pernas, seus versos os seus braços, seus poemas coração e alma e no todo você é pura poesia. Obrigada, por este texto indizivelmente belo! Te amo, pessoa linda! Um beijo, de dentro do meu coração.
Celêdian
quarta-feira, 18 de maio de 2011
CASULOS
Casulo da seda - imagem GoogleÀs vezes há um bicho que desentranha-se.
Desentranha-se do ser um bicho, às vezes,
como a larva que eclode do ovo da mariposa,
tal lagarta, colhe do verde das folhas, sustento.
Ainda camuflada, tão indefesa, tão inocente,
precisa de tempo para que amareleça, amadureça,
para que as intempéries, a frieza não a mate e
renasça crisálida forte, capaz de segregar
o casulo da sua própria existência
e metamorfoseando buscar sobrevivência.
Como o imago, recomeçar um ciclo,
para que nunca se extinga a fina seda,
nem a magia do tecido fino dos sonhos,
que no casulo criam, o bicho e o ser,
cada qual no seu tempo de aprender a viver.
************************************************************************************
*Ciclo do bicho da seda: ovo da mariposa – estágios de larva - crisálida (lagarta) – imago (adulto) – casulo (usado na produção de fios de seda).
domingo, 15 de maio de 2011
quarta-feira, 11 de maio de 2011
GARIMPAGEM
Imagem GoogleNas minas garimpo
Intransigentes saudades
De escavadas lembranças
Brilhantes na mente
D’ouro e diamantes
Incrustados nas rochas
Das adolescentes memórias
Na bateia diviso
Das ricas pedras, apuro
O cerne, a essência
Essencialmente, gema
Da terra bruta, o prolixo
Saldo de incertezas
Da breve proeza
Projetada em vida
quarta-feira, 4 de maio de 2011
TRANSUBSTANCIAÇÃO
Sou raiz
Fixada profundamente no chão
Base do caule que cresce
Sustento das folhas e flores
Dos frutos que saciarão
Fixo meus pensamentos
Profundamente no coração
Base do sentimento que cresce
Sustento da dor e da alegria
Dos frutos que nutrem a emoção
Sou caule
Tronco forte erguido do solo
Seiva em minhas artérias e veias
Injetadas, correndo sangue da vida
Meus galhos balouçam ao vento
Envergam-se em busca de luz
Resistem bravos às tempestades
Na busca do alimento da alma
Oxigênio que aspiro, tal folhas
Essência dos meus pensamentos
Aspirando e inspirando
Respiro, apuro e depuro
Extraio da lógica, toda a razão
Energizada, latente, sobrevivente
Pulsa a vida entre razão e emoção
Tal planta, ser vivo, sou viva
Acrescida de alma, mente e coração
quinta-feira, 21 de abril de 2011
ECOS DAS INQUIETUDES
Um grito mudo, rompendo a surdez do vento,
alcança os ouvidos das longínquas montanhas.
O eco surdo rompe a mudez do pensamento,
libertando dores encarceradas nas entranhas.
Atordoada a mente, ouve da alma o lamento,
como cantigas desafinadas, soando estranhas,
no elo perdido entre memórias e esquecimento,
Contemplo o som dos ecos em suas artimanhas.
Do olhar do qual ora me invisto, ora me isento,
para as cores cinzentas do reflexo das sanhas,
contrastam tons esmaecidos de um momento,
que, mais amenos tingem as dores tamanhas.
Busco a paz nas cores e sons e em tal intento,
faço minha cúmplice a quietude das montanhas.
terça-feira, 19 de abril de 2011
POEMA CONVEXO
Ensaio uma construção complexa
Em ousada e desconexa alteração
Exigindo a mera explicação anexa
Excluindo-se perplexa aceitação
Das palavras, a acepção desanexo
Da progressão exata, a gradação
Do poeta em abstração, perplexo
Do exercício complexo, aliteração
Imagens confusas da ação, reflexo
Incidindo anexo na apresentação
Inusitada adaptação com nexo
Irrompendo do plexo da criação
A leitura de assimilação complexa
Apenas poesia, com anexa ilação
Às vezes parece criação sem nexo
À pena do poeta, só reflexo da inspiração
Em ousada e desconexa alteração
Exigindo a mera explicação anexa
Excluindo-se perplexa aceitação
Das palavras, a acepção desanexo
Da progressão exata, a gradação
Do poeta em abstração, perplexo
Do exercício complexo, aliteração
Imagens confusas da ação, reflexo
Incidindo anexo na apresentação
Inusitada adaptação com nexo
Irrompendo do plexo da criação
A leitura de assimilação complexa
Apenas poesia, com anexa ilação
Às vezes parece criação sem nexo
À pena do poeta, só reflexo da inspiração
quarta-feira, 13 de abril de 2011
SORVEDOURO

Imagem Google: O mito da caixa de Pandora faz alusão à origem dos males que permeiam o mundo.
Há dias e dias assim: secura insofismável,
De sede insopitável, anseios, desejos, sonhos...
Com um calor que emana da terra árida,
Como magma seco espalhado, sempre vivo,
Como espessa relva seca, sedenta de fertilidade,
Como se Deméter a tivesse abandonado,
Do Olimpo se retirado indignada,
De tristeza tomada, privada de colher e alimentar
Os filhos da terra, tal como sua filha Perséfone,
Até que Zeus implorasse em desejo ardente, pela seara.
Arma-se a tempestade, enegrecido o firmamento,
Projetando seus raios e trovões, remexe as entranhas,
Em inopinado movimento, abrem-se rachaduras,
Sôfregas por sorver fluidos de nimbus carregados,
E transformá-los em líquidos da ressurreição.
Em comunhão, céu e terra, coração e mente,
Esperam ávidos de renovação, os dias férteis,
Que façam nascer, vomitar, como Cronos,
Os filhos de Réia devorados, para então deuses,
De suas próprias vontades, amparados por Gaia
Dividam o universo e retomem seus dias,
Com a esperança que restou na caixa,
Depois de espalhados todos os males,
Que ressequiram a terra, deixaram em fogo,
O espírito dos homens, sequiosos,
Sempre inquietos, com eternas indagações.
***Mitologia: Zeus é o rei dos deuses, soberano do Monte Olimpo e deus do céu e do trovão. Zeus Cronida, tempestuoso, era filho de Cronos e Reia, o mais novo dos seis irmãos. Os outros cinco irmãos foram devorados pelo pai Cronos e quando Zeus, que fora salvo (de ser devorado) pela mãe Reia, com a ajuda de Gaia (a terra). Se tornou adulto, ofereceu ao pai uma bebida e fez com que Cronos vomitasse todos os seus irmãos (Hera, Hades, Poseidon, Héstia e Demeter).
De sede insopitável, anseios, desejos, sonhos...
Com um calor que emana da terra árida,
Como magma seco espalhado, sempre vivo,
Como espessa relva seca, sedenta de fertilidade,
Como se Deméter a tivesse abandonado,
Do Olimpo se retirado indignada,
De tristeza tomada, privada de colher e alimentar
Os filhos da terra, tal como sua filha Perséfone,
Até que Zeus implorasse em desejo ardente, pela seara.
Arma-se a tempestade, enegrecido o firmamento,
Projetando seus raios e trovões, remexe as entranhas,
Em inopinado movimento, abrem-se rachaduras,
Sôfregas por sorver fluidos de nimbus carregados,
E transformá-los em líquidos da ressurreição.
Em comunhão, céu e terra, coração e mente,
Esperam ávidos de renovação, os dias férteis,
Que façam nascer, vomitar, como Cronos,
Os filhos de Réia devorados, para então deuses,
De suas próprias vontades, amparados por Gaia
Dividam o universo e retomem seus dias,
Com a esperança que restou na caixa,
Depois de espalhados todos os males,
Que ressequiram a terra, deixaram em fogo,
O espírito dos homens, sequiosos,
Sempre inquietos, com eternas indagações.
***Mitologia: Zeus é o rei dos deuses, soberano do Monte Olimpo e deus do céu e do trovão. Zeus Cronida, tempestuoso, era filho de Cronos e Reia, o mais novo dos seis irmãos. Os outros cinco irmãos foram devorados pelo pai Cronos e quando Zeus, que fora salvo (de ser devorado) pela mãe Reia, com a ajuda de Gaia (a terra). Se tornou adulto, ofereceu ao pai uma bebida e fez com que Cronos vomitasse todos os seus irmãos (Hera, Hades, Poseidon, Héstia e Demeter).
Deméter, a deusa da fertilidade, dos cereais, mãe nutridora, irmã de Zeus e também sua quarta esposa, com quem teve uma filha, Perséfone. Esta raptada por Hades, deixou Deméter indignada, ela então abandonou o Olimpo por nove dias. Nada mais poderia nascer ali, até que Zeus implorou pela sua volta, para devolver a fertilidade para o Olimpo, com o que ela concorda somente sob a condição de ter Perséfone de volta. Após uma guerra de cem anos e orientados por Gaia, o universo é dividido entre os deuses: Então partilhou-se o universo, Zeus ficou com o céu e a Terra, Poseidon ficou com os oceanos e Hades ficou com o mundo dos mortos.
*A caixa de Pandora, é um mito grego no qual a existência da mulher e dos vários males do mundo são explicados. Na mitologia grega Pandora foi a primeira mulher dada como uma oferenda à humanidade por Zeus como uma punição pelo roubo do fogo feito por Prometheus. Foi confiada a ela uma caixa contendo todas as adversidades que poderiam afligir as pessoas. Ela abriu a caixa por curiosidade e, consequentemente, libertou todos os males da vida humana. Logo percebendo o erro que cometera, Pandora se apressou em fechar a caixa. Com isso, ela conseguiu preservar o único dom positivo que fora depositado naquele recipiente: a esperança.
sexta-feira, 8 de abril de 2011
ESSÊNCIA FEMININA
Mulher é um ser tão diferente
Tão forte na sua fragilidade
Tão frágil na sua fortaleza
Triste se esvai em lágrimas
Na alegria em prantos iguais
Ama com a força da alma
Intensa se entrega forte
Agasalha, aninha, protege
Despe-se de si e se doa
Com igual simplicidade
Veste-se e ousa pedir
Sabe que quer carinho
Afeto, ternura, amor...
Entende da sutil diferença
Entre o amor e o querer
Se preterida, sofre sua dor
Querida, ama desvairada
A mulher mãe é toda pura
É feliz por pouco
Sorriso de filho, apogeu
Felicidade tamanha, ímpar
Que seja a mulher vista
Feminina, erótica e louca
Que almeja não ser a santa
Sonha, fantasia, deseja
Espera, se guarda, se poupa
Acredita, perdoa, às vezes grita
Compreendida, se agiganta
E se não, retrai-se, recua
Tímida, acuada, com pudor
De súbito reergue-se, forte
Altiva, nobre, é força do afeto
Mulheres diversas, mulheres mil
Bravas e mansas, fortes e fracas
Bonitas e feias, amargas e doces
Amadas ou não, novas e velhas
Vaidosas ou sem viço
A mãe, a filha, esposa ou amante
Namorada ou amiga
São todas tão únicas, tão belas
Indispensáveis, inigualáveis
Não importa esta ou aquela
São na essência apenas mulheres.
segunda-feira, 28 de março de 2011
RETROALIMENTAÇÃO
Na página alva e viva
Derramo cristais
Que escorrem dos olhos
Em vã tentativa
De torná-la brilhante
Quebrando angústias
Tento borrá-la
Com versos azuis
Mesmo dispersos
Sejam impressos
Como mata borrão
Que suga palavras
Da alma inquieta
Sem inspiração.
Na página branca
Rolam e em fuga
Espatifam-se no chão
Rompem-se vértices
Das lágrimas de cristais
Sorvidas pelo solo
Tornam-se seiva dos sais
Realimentam o poeta
Que faz brotar em poesia
A remição de seus ais
terça-feira, 15 de março de 2011
SOB OUTRA ÓTICA
Pintura Espelho falso "as cores não exatamente as do céu, estão em nossos olhos" - MagritteDois lados, o lado de lá, o lado de cá.
Entremeio uma superfície fria a separar.
A luz numa reflexão natural e regular,
projeta-se na pele nua que lá está.
No princípio parecia imagem especular,
das raias da imaginação em pura magia.
Côncavo e convexo abraçados em poesia,
numa imagem real, raios a se encontrar.
Prolongaram-se os raios e refletidos,
convergiram para uma doce paixão,
tal espelho plano, a deliciosa revelação,
pelas virtuais imagens, enlouquecidos.
Por vezes turvaram-se os olhos distantes,
num lusco fusco, de tal emoção tomados
e sem cadência, como versos desritmados,
declamados ais, em suspiros extasiantes.
Espelho duplo, como se espreitassem
de lá e de cá, como se vidro fosse,
translúcido e como se poros tivesse,
por onde seus perfumes exalassem
E foram tantos cheiros, até as cores,
na projeção de tantos beijos loucos,
dos lábios rubros, sussurros roucos,
espelhados nos mais reais sabores.
Entremeio uma superfície fria a separar.
A luz numa reflexão natural e regular,
projeta-se na pele nua que lá está.
No princípio parecia imagem especular,
das raias da imaginação em pura magia.
Côncavo e convexo abraçados em poesia,
numa imagem real, raios a se encontrar.
Prolongaram-se os raios e refletidos,
convergiram para uma doce paixão,
tal espelho plano, a deliciosa revelação,
pelas virtuais imagens, enlouquecidos.
Por vezes turvaram-se os olhos distantes,
num lusco fusco, de tal emoção tomados
e sem cadência, como versos desritmados,
declamados ais, em suspiros extasiantes.
Espelho duplo, como se espreitassem
de lá e de cá, como se vidro fosse,
translúcido e como se poros tivesse,
por onde seus perfumes exalassem
E foram tantos cheiros, até as cores,
na projeção de tantos beijos loucos,
dos lábios rubros, sussurros roucos,
espelhados nos mais reais sabores.
sexta-feira, 11 de março de 2011
DIVÃ
Pacientemente, a poesia,
ouve lamúrias atenta,
capta também alegria,
tudo que a alma ostenta
e o poeta lhe confidencia.
Das lembranças que sustenta,
dele, o vivo coração,
vibram em perfeita sintonia,
a dor que a alma lamenta
e o calor de louca paixão,
soando nos versos, tal sinfonia,
a essência e poder da criação.
quarta-feira, 2 de março de 2011
INDOMÁVEL
Governado pela rainha, no seu reino de magia
Irrequieto o coração, em tão cega obediência
Submete-se súdito, aos caprichos da fantasia
Cede aos desmandos, com clara subserviência
Beija-lhe mãos e pés, curvando-se diante dela
Sôfrego e hesitante, ele, rende-lhe reverência
Com olhar penetrante, seu amor que se revela
Ela, imponente, assedia-o, simulando carência
Seduzidos os sentidos, é feitiço que o intima
O súdito embevecido, pela sua musa, suspira
Sucumbe aos apelos, da rainha que o domina
Realidade ou quimera, amor, tristeza, alegria
No reino da inspiração, o súdito é só o poeta
-Refém da rainha indomável, a própria poesia
segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
FIGURAS DO MEU PENSAMENTO
Desfilando em meu pensamento
Palavras livres, soltas na mente
Perco-me em meu alheamento
Colhendo-as todas, avidamente
Abraçando as palavras queridas
Beijo os recursos que me dão
Que ora acariciam as feridas
Ou, ora ferem forte o coração
Ora fazem-me chorar de alegria
E tristes, cantam minha solidão
Zombo delas, as visto de ironia
Choro, rio, desdenho da ilusão
Exploro-as na antítese que alia
Todos meus sentidos opostos
Se morro de amor nos versos
E vivo do meu amor à poesia
É preciso às vezes interromper
E em breve apóstrofe suplicar
Tende dó, poesia, do meu ser
Nunca me deixe de ti abdicar
Mudas, prosopopéia parecem
Palavras que gemem ansiosas
Por versos que as enobrecem
Ávidas e da poesia sequiosas
Há sofrimentos, perco a calma
Se a inspiração vai, se ausenta
Entrego a Deus a minha alma
Neste eufemismo que sustenta
No pensamento, palavra e figura
Dos sentidos uma pura gradação
Sou pobre, sou nada, sou agrura
Se não sou poeta, sou só ilusão
Palavras livres, soltas na mente
Perco-me em meu alheamento
Colhendo-as todas, avidamente
Abraçando as palavras queridas
Beijo os recursos que me dão
Que ora acariciam as feridas
Ou, ora ferem forte o coração
Ora fazem-me chorar de alegria
E tristes, cantam minha solidão
Zombo delas, as visto de ironia
Choro, rio, desdenho da ilusão
Exploro-as na antítese que alia
Todos meus sentidos opostos
Se morro de amor nos versos
E vivo do meu amor à poesia
É preciso às vezes interromper
E em breve apóstrofe suplicar
Tende dó, poesia, do meu ser
Nunca me deixe de ti abdicar
Mudas, prosopopéia parecem
Palavras que gemem ansiosas
Por versos que as enobrecem
Ávidas e da poesia sequiosas
Há sofrimentos, perco a calma
Se a inspiração vai, se ausenta
Entrego a Deus a minha alma
Neste eufemismo que sustenta
No pensamento, palavra e figura
Dos sentidos uma pura gradação
Sou pobre, sou nada, sou agrura
Se não sou poeta, sou só ilusão
terça-feira, 22 de fevereiro de 2011
MUSAS - AMORES ARREBATADORES
Qual mulher não se perdeu em muitas fantasias,
tal qual conta a história de musas apaixonantes,
reverenciadas naqueles romances de cavalarias,
- Aldonza de Lorenza, a Dulcinéia de Cervantes.
Ser do poeta inconfidente, a estrela, a mais bela,
- Maria Dorothéia, a tão doce Marília de Gonzaga,
amada, nas liras tecidas a punho, tantas por ela,
- legando ao amor e em poesia, a mais rica saga.
Ser desejada musa do romance de José de Alencar,
a virgem dos lábios de mel, tão amada, por Martin,
cabelos negros tal asas da graúna, que fez arrebatar,
desejos pela Iracema, seus encantos, amor sem fim.
Ser mulher, que por si, cem sonetos foram dedicados,
apelando à lua que os consagre, que só amor os acuda,
de Matilde a Rosário, nome entre os amantes trocados,
entre amores o mais ardente, do grande Pablo Neruda.
Belas! Campesina, dama, pastora, selvagem e urbana,
mulheres, musas nos sonhos dos poetas, fantasiadas,
elas, Dulcinéia, Marília de Dirceu, Iracema e Rosário,
por tanto amor e tão amadas, tornaram-se encantadas.
tal qual conta a história de musas apaixonantes,
reverenciadas naqueles romances de cavalarias,
- Aldonza de Lorenza, a Dulcinéia de Cervantes.
Ser do poeta inconfidente, a estrela, a mais bela,
- Maria Dorothéia, a tão doce Marília de Gonzaga,
amada, nas liras tecidas a punho, tantas por ela,
- legando ao amor e em poesia, a mais rica saga.
Ser desejada musa do romance de José de Alencar,
a virgem dos lábios de mel, tão amada, por Martin,
cabelos negros tal asas da graúna, que fez arrebatar,
desejos pela Iracema, seus encantos, amor sem fim.
Ser mulher, que por si, cem sonetos foram dedicados,
apelando à lua que os consagre, que só amor os acuda,
de Matilde a Rosário, nome entre os amantes trocados,
entre amores o mais ardente, do grande Pablo Neruda.
Belas! Campesina, dama, pastora, selvagem e urbana,
mulheres, musas nos sonhos dos poetas, fantasiadas,
elas, Dulcinéia, Marília de Dirceu, Iracema e Rosário,
por tanto amor e tão amadas, tornaram-se encantadas.
SAUDADE EM GOTAS
Na janela escorrem lentamente,
pingos brilhantes de chuva,
são lágrimas do céu.
Dos olhos vertem líquidas,
gotículas de saudade intensa,
dores do coração.
Escoam impiedosamente.
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