sábado, 11 de dezembro de 2010

REFLEXOS E REFLEXÕES

Sou eu entre os reflexos - BH 10/12/10


O espelho tal uma lâmina d'água,
Só reflete o que à superfície se apresenta,
A todo momento me indaga do interior,
Quais as imagens terei furtado dele.

Talvez não as tenha retido, enfim,
Quem sabe ainda não as construí.
São tão várias as minhas indagações,
Mil espelhos não poderiam refletir.

Há um vidro inerte para confundir.
Se sou eu do outro lado do espelho,
Diviso-me, tento adivinhar-me,
Mas não me traduzo em gestos,
A imagem não pode reproduzir.

Tamanha inércia faz refletir,
No frio vidro que me espia,
Impassível, sei que espera,
que um gesto meu denuncie,
segredados desejos em mim.
Talvez meus sonhos guardados,
Das histórias que não vivi.

7 comentários:

  1. Agorinha mesmo estava vasculhando uma frase ou pensamento para publicar no meu blog e quando li esse seu belíssimo poema me lembrei que esta sobre maturidade casa bem com sua reflexão poética:

    Maturidade para mim é quando me olho no espelho e vejo a imagem refletida como uma bagagem; e aí assumo inteira responsabilidade pelo transporte até o fim dos meus dias.

    Um abraço grande. Paz e bem.

    ResponderExcluir
  2. Pouca vêzes presenciei uma tal interação, quase complementar, entre texto e imagem. Cultor do texto apenas que texto, sem adição de outro elemento que estimule ou influencie a leitura, não posso, no entanto, deixar de me curvar aqui, onde texto e imagem fazem um todo quase que indissociável.

    A beleza dos teus versos, querida Celêdian, em que as rimas internas e a elegância da escrita fazem-se veículo prazeroso para a profundidade de tuas indagações, é comovente. Li e reli várias vêzes este teu belíssimo texto e o lerei ainda muitas vêzes. O teu talento de grande poetisa conjuga-se agora a um outro, mais gráfico, e que ouso chamar de "conciliadora de imagens". Minha admiração maior, grande poetisa.

    Um bom domingo, um grande abraço, meu carinho. André

    ResponderExcluir
  3. Há tanto de nós em espelhos minha cara, deixamos tantos sonhos e desejos que nem deveríamos nos assustar se refletissem sem nossa realidade... Teu versejar é lindo, eu vou seguir-te...d

    ResponderExcluir
  4. Por vezes, sinto inveja daquele "eu" dentro do espelho.

    Ele está lá, sem sofrer dores, cansaços, sem sentir o peso da idade. Mas, em contrapartida, também não vive emoção alguma, sempre preso no vazio de uma dimensão limitada ao espelho.

    Olá, Celêdian. Nessa correria de fim de ano, acabo deixando passar algumas coisas boas que existem na web, assim como teu cantinho. Belíssimos versos.

    ResponderExcluir
  5. "Narciso fica à margem, catalogando belezas de superfície, e teme que o espelho que o anuncia quebre-se no mergulhar em verdades" - coisa linda, Celê amiga, beijo do Jorge.

    ResponderExcluir
  6. Ah... Os espelhos, Celê... Nunca saberemos se são eles que nos refletem ou se somos nós que, por detrás da lâmina - e sem fixa determinação de espaço ou tempo -, damos a identidade e identificação da imagem que nossa alma reflete. E sempre fica a possibilidade de que seja "... um gesto que denuncie,
    segredados desejos em mim.
    Talvez meus sonhos guardados,
    Das histórias que não vivi." Ou uma outra que vivi e não vi. Estando à sua frente, dileta poetisa, qualquer espelho será reflexo do Belo, em forma ou essência! (Marco Aurélio de Figueiredo - Uberaba/MG)

    ResponderExcluir
  7. joao victor velloso12 de julho de 2012 08:51

    quem sabe o que os sonhos nos revelarão? talvez, um dia, possam transvazar o espelho e nos tirar da opacidade em que nos metemos, dentro de nossa casca. brilhe. a vida é curta. carpe diem.

    ResponderExcluir

Obrigada pela tua presença. Sinta-se à vontade, comente. Por gentileza, identifique-se. Seja bem vindo!